Olívia perdeu a cor por um instante. Liam viu. E continuou, no mesmo tom baixo.
— Quatro horas na cobertura de André, depois de desligar o celular e dispensar a escolta. Não é coragem. Não é liberdade. É desespero vestido de afronta.
Ela se aproximou, os olhos azuis ardendo.
— Desespero? — riu com desprezo. — Desespero é viver presa a um homem que acha que pode transformar uma mulher em propriedade. Hoje foi escolha.
— Escolha? — Ele passou os olhos por ela, devagar, como se a avaliasse de fora para dentro. — Então sustente.
Olívia sustentou.
— Sustento. Eu fui porque quis. Fiquei porque quis. E, se Meredith não estivesse aqui, talvez eu ainda estivesse lá.
O maxilar dele travou. A primeira rachadura. Pequena. Quase invisível. Olívia viu. E avançou.
— André sabe exatamente como me receber.
Liam permaneceu imóvel.
— Imagino que sim. Homens como ele costumam ser generosos com aquilo que recebem escondido.
A frase atravessou Olívia. Ela ergueu a mão, mas conteve o impulso antes de tocá-lo.
— Não fala dele.
— Por quê? — A voz dele baixou ainda mais. — Tocar no nome dele estraga a fantasia?
— Fantasia? — Ela riu, ferida e venenosa. — Fantasia é achar que você ainda tinha algum direito sobre mim.
— Eu tenho.
A resposta veio imediata. Sem grito. Sem dúvida.
— No papel. No sobrenome. Na lei. Nesta casa.
Olívia respirou fundo.
— Na minha cama, não.
O silêncio partiu o quarto ao meio. Liam aproximou-se. Devagar. Perigoso.
— Cuidado.
Ela sorriu.
— Com o quê? Com a verdade?
— Com o hábito de confundir provocação com poder.
— Poder? — Olívia deu mais um passo. — Você quer falar de poder comigo, Liam? Então escuta bem: hoje eu lembrei como é ser desejada sem ser tratada como algo que se pode comprar.
Os olhos dele escureceram. A voz, porém, permaneceu intacta.
— Desejo não transforma ninguém na escolha de alguém.
O tapa veio antes que ela pensasse. O rosto dele virou minimamente com o impacto. Olívia respirava rápido, os olhos brilhando de raiva. Liam voltou o rosto lentamente para ela. Nenhuma surpresa. Nenhum arrependimento. Apenas aquele olhar frio, enigmático, insuportável.
— Agora sim. — Ele murmurou. — Reconheci alguma coisa.
— Me odeia? — ela cuspiu.
— Não. — Ele deu um passo na direção dela. — Ódio ainda seria uma forma de importância.
As lágrimas arderam, mas ela não deixou cair.
— Então vai gostar de saber que o André me fez sentir muito importante esta noite.
Liam segurou o braço dela. Firme. Sem machucar. Mas sem permitir que ela recuasse.
— Você não vai usar esse nome dentro deste quarto como se ele tivesse algum valor aqui.
Olívia ergueu o queixo.
— Ele teve valor suficiente para me fazer esquecer você por algumas horas.
O aperto dele aumentou.
— Mentira.
A palavra saiu seca. Cortante. Ela travou.
— Você não sabe de nada.
— Sei. — Liam aproximou o rosto do dela, a voz baixa como uma sentença. — Sei porque, se tivesse esquecido, não teria voltado para cá tentando me convencer. Teria ficado lá.
Olívia perdeu o ar. Ele soltou o braço dela devagar.
— Isso é o que desmonta tudo o que você acabou de dizer.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)
Gente acaba tendo que comprar moedas pra poder desbloquear os capítulos, mais a escritora não colabora 1 mês sem capítulo novo...
Um mês msm e nada , isso é estressante...
Nossa 1 mês e nada de novos capítulos . Já nem lembro o que eu li antes...
cade novos capituloooos?...
Kd os novos capítulos? 3 semanas q saiu os últimos?...
APartir dos 575...
Meu Deus hoje faz 3 semanas e nada dos novos capítulos...
Qnd vao liberar mais capítulos? Ansiosa pra ver o desfecho desse romance....
559 parou ja ter 3 semanas como podem....
Cadê o comprometimento com o leitor? Oque custa posta td livro?...