Liam não respondeu.
Apenas a observou.
O olhar verde permaneceu preso ao dela, indecifrável, e isso pareceu irritá-la ainda mais. Olívia conhecia muitas versões daquele homem, mas, naquele instante, não conseguiu descobrir qual delas estava diante dela.
— Hoje vamos juntos para casa. Estou com saudades da nossa filha. — Liam soltou o queixo dela, mas demorou um segundo a mais para afastar os olhos de seu rosto. — Entre outras coisas.
Olívia sentiu o coração tropeçar.
— Que outras coisas?
Liam sustentou o olhar dela. Por alguns segundos, pareceu considerar responder, mas alguma coisa na expressão machucada da esposa o fez desistir.
— Do jeito que você está agora, não importa o que eu diga. Você não vai conseguir me ouvir.
Olívia franziu a testa.
— Então não fala.
— Não vou.
A resposta veio tranquila, sem provocação. Liam inclinou minimamente o rosto, os olhos ainda presos aos dela.
— Algumas coisas não adianta dizer enquanto você não conseguir sentir que são verdade.
Aquilo a calou.
Liam se afastou.
— Vamos para casa juntos, Olívia.
Ela cruzou os braços, recuperando a afronta.
— Voltou a ser sua casa?
Liam já caminhava em direção à porta, mas parou.
Virou apenas o rosto.
Olívia estava atrás da mesa, o queixo erguido apesar dos olhos ainda machucados, esperando a resposta como se estivesse preparada para lutar contra qualquer coisa que ele dissesse.
Liam a observou por alguns segundos.
— Nunca deixou de ser nossa.
Olívia perdeu a afronta por uma fração mínima.
Ele viu.
Mas não aproveitou a brecha.
Não perguntou novamente por que ela havia chorado.
Não exigiu que fosse almoçar.
Não tentou arrancar dela uma conversa para a qual claramente não estava preparada.
Apenas abriu a porta.
Antes de sair, lançou-lhe mais um olhar.
— Se a cólica piorar, me avise.
Olívia apertou os lábios e ergueu o queixo.
— Sei muito bem me cuidar.
Liam parou com a mão na maçaneta.
Os olhos verdes percorreram o rosto dela devagar, demorando-se nas pálpebras ainda avermelhadas. Por um instante, pareceu que responderia à provocação, mas não o fez.
— Então se cuida, Olívia.
Olívia ficou imóvel.
A frase não saiu como uma crítica. Tampouco como uma ordem. Liam apenas sustentou o olhar dela, sério demais para que pudesse fingir que não havia percebido o quanto ela estava mal.
Olívia desviou os olhos primeiro.
— Pode ir, Liam.
Ele abriu a porta, mas não atravessou imediatamente.
— E, Olívia...
Ela tornou a encará-lo, já impaciente.
— O quê?
Liam permaneceu alguns segundos em silêncio, como se tivesse escolhido exatamente o que estava disposto a dizer.
— Você vai voltar a confiar em mim.
As sobrancelhas dela se ergueram.
— Tem muita certeza de si mesmo.
— Tenho.
— E por que eu deveria?
O olhar dele não vacilou.
— Eu não disse que deveria.
Aquilo a fez se calar.
Liam inclinou minimamente a cabeça.
— Disse que vai.
E saiu.
A porta se fechou devagar.
Olívia permaneceu imóvel atrás da mesa, olhando para o lugar onde ele estivera.
— Arrogante...
Então levou os dedos ao canto da boca que Liam havia beijado.
Aquilo era o pior.
Se ele simplesmente continuasse frio, talvez fosse mais fácil alimentar a raiva. Mas Liam aparecia, bagunçava tudo dentro dela com meia dúzia de palavras, beijava o canto de sua boca e ainda saía com aquela certeza insuportável de que conseguiria recuperar sua confiança.
Olívia fechou os olhos quando uma nova lágrima ameaçou cair.
— Não vou chorar de novo...
Passou depressa os dedos sob os olhos e puxou a cadeira.
Depois do horário de almoço, Liam entrou na clínica onde Olívia havia sido atendida naquela manhã. Parou diante da recepção e apoiou uma das mãos no balcão.
— Minha esposa esteve aqui esta manhã. Olívia Holt. Quero falar com a médica que a atendeu.
A recepcionista digitou alguma coisa, mas parou antes de concluir.
— Senhor, eu não posso fornecer informações sobre pacientes.
Os olhos verdes permaneceram fixos nela.
— Não pedi o prontuário da minha esposa.
— Mesmo assim, eu não posso confirmar quem—
— Então chame quem pode.
A mulher hesitou diante da tranquilidade cortante da resposta.
— Senhor...
— Seu superior.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)
podiam atualizar no buenovela já saiu até a capitulo 596. mas a essa altura do campeonato não compensa eu pagar p ler lá desde o início....
Ansiosa prós novos capítulos...
A gente espera mais de um mês pra continuar lendo o livro e quando divulga é apenas 15 capítulos...
espero que não demore 1 mes para sair novos...
Gente acaba tendo que comprar moedas pra poder desbloquear os capítulos, mais a escritora não colabora 1 mês sem capítulo novo...
Um mês msm e nada , isso é estressante...
Nossa 1 mês e nada de novos capítulos . Já nem lembro o que eu li antes...
cade novos capituloooos?...
Kd os novos capítulos? 3 semanas q saiu os últimos?...
APartir dos 575...