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Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia) romance Capítulo 594

Liam não respondeu.

Apenas a observou.

O olhar verde permaneceu preso ao dela, indecifrável, e isso pareceu irritá-la ainda mais. Olívia conhecia muitas versões daquele homem, mas, naquele instante, não conseguiu descobrir qual delas estava diante dela.

— Hoje vamos juntos para casa. Estou com saudades da nossa filha. — Liam soltou o queixo dela, mas demorou um segundo a mais para afastar os olhos de seu rosto. — Entre outras coisas.

Olívia sentiu o coração tropeçar.

— Que outras coisas?

Liam sustentou o olhar dela. Por alguns segundos, pareceu considerar responder, mas alguma coisa na expressão machucada da esposa o fez desistir.

— Do jeito que você está agora, não importa o que eu diga. Você não vai conseguir me ouvir.

Olívia franziu a testa.

— Então não fala.

— Não vou.

A resposta veio tranquila, sem provocação. Liam inclinou minimamente o rosto, os olhos ainda presos aos dela.

— Algumas coisas não adianta dizer enquanto você não conseguir sentir que são verdade.

Aquilo a calou.

Liam se afastou.

— Vamos para casa juntos, Olívia.

Ela cruzou os braços, recuperando a afronta.

— Voltou a ser sua casa?

Liam já caminhava em direção à porta, mas parou.

Virou apenas o rosto.

Olívia estava atrás da mesa, o queixo erguido apesar dos olhos ainda machucados, esperando a resposta como se estivesse preparada para lutar contra qualquer coisa que ele dissesse.

Liam a observou por alguns segundos.

— Nunca deixou de ser nossa.

Olívia perdeu a afronta por uma fração mínima.

Ele viu.

Mas não aproveitou a brecha.

Não perguntou novamente por que ela havia chorado.

Não exigiu que fosse almoçar.

Não tentou arrancar dela uma conversa para a qual claramente não estava preparada.

Apenas abriu a porta.

Antes de sair, lançou-lhe mais um olhar.

— Se a cólica piorar, me avise.

Olívia apertou os lábios e ergueu o queixo.

— Sei muito bem me cuidar.

Liam parou com a mão na maçaneta.

Os olhos verdes percorreram o rosto dela devagar, demorando-se nas pálpebras ainda avermelhadas. Por um instante, pareceu que responderia à provocação, mas não o fez.

— Então se cuida, Olívia.

Olívia ficou imóvel.

A frase não saiu como uma crítica. Tampouco como uma ordem. Liam apenas sustentou o olhar dela, sério demais para que pudesse fingir que não havia percebido o quanto ela estava mal.

Olívia desviou os olhos primeiro.

— Pode ir, Liam.

Ele abriu a porta, mas não atravessou imediatamente.

— E, Olívia...

Ela tornou a encará-lo, já impaciente.

— O quê?

Liam permaneceu alguns segundos em silêncio, como se tivesse escolhido exatamente o que estava disposto a dizer.

— Você vai voltar a confiar em mim.

As sobrancelhas dela se ergueram.

— Tem muita certeza de si mesmo.

— Tenho.

— E por que eu deveria?

O olhar dele não vacilou.

— Eu não disse que deveria.

Aquilo a fez se calar.

Liam inclinou minimamente a cabeça.

— Disse que vai.

E saiu.

A porta se fechou devagar.

Olívia permaneceu imóvel atrás da mesa, olhando para o lugar onde ele estivera.

— Arrogante...

Então levou os dedos ao canto da boca que Liam havia beijado.

Aquilo era o pior.

Se ele simplesmente continuasse frio, talvez fosse mais fácil alimentar a raiva. Mas Liam aparecia, bagunçava tudo dentro dela com meia dúzia de palavras, beijava o canto de sua boca e ainda saía com aquela certeza insuportável de que conseguiria recuperar sua confiança.

Olívia fechou os olhos quando uma nova lágrima ameaçou cair.

— Não vou chorar de novo...

Passou depressa os dedos sob os olhos e puxou a cadeira.

Depois do horário de almoço, Liam entrou na clínica onde Olívia havia sido atendida naquela manhã. Parou diante da recepção e apoiou uma das mãos no balcão.

— Minha esposa esteve aqui esta manhã. Olívia Holt. Quero falar com a médica que a atendeu.

A recepcionista digitou alguma coisa, mas parou antes de concluir.

— Senhor, eu não posso fornecer informações sobre pacientes.

Os olhos verdes permaneceram fixos nela.

— Não pedi o prontuário da minha esposa.

— Mesmo assim, eu não posso confirmar quem—

— Então chame quem pode.

A mulher hesitou diante da tranquilidade cortante da resposta.

— Senhor...

— Seu superior.

Olívia fechou os olhos.

— Desligue seu celular.

O motorista olhou para ela pelo retrovisor.

— Senhora?

— O seu celular. Desligue.

Houve uma pequena hesitação.

— Senhora Olívia, por orientação da segurança, precisamos permanecer—

Olívia ergueu os olhos.

— É uma ordem.

O homem ficou em silêncio.

— E avise aos seguranças para desligarem os deles também. Ninguém liga novamente até eu autorizar.

— Senhora Olívia, se o senhor Holt tentar—

— Principalmente se ele tentar.

A firmeza da resposta encerrou qualquer possibilidade de discussão.

— Sim, senhora.

Olívia tornou a virar o rosto para a janela. Pouco depois, ouviu o motorista transmitir a ordem e os aparelhos foram desligados.

Só então permitiu que as lágrimas caíssem.

Não fez barulho. Não soluçou. Apenas ficou encostada no vidro enquanto elas desciam lentamente pelo rosto, limpando-as de tempos em tempos com as pontas dos dedos.

Melissa.

A madrugada.

A suíte.

O apartamento.

Secretária.

Fechou os olhos com força.

Depois veio outra lembrança.

O beijo de Liam no canto de sua boca.

A voz baixa junto ao ouvido.

Você sabe muito bem o estrago que essa boquinha faz em mim.

Olívia apertou os lábios.

— Mentiroso...

Quando chegaram a Rockaway Beach, ela desceu sem esperar que o motorista abrisse a porta. O vento atingiu seu rosto quase imediatamente, jogando alguns fios de cabelo para trás.

— Senhora Olívia — chamou um dos seguranças, aproximando-se.

Olívia retirou as sandálias.

— Fiquem longe.

— Precisamos manter a senhora no nosso campo de visão.

Ela respirou fundo, cansada demais para discutir.

— Então fiquem onde consigam me ver. Só não quero ninguém perto de mim.

O homem assentiu.

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