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Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia) romance Capítulo 601

Edgar percebeu imediatamente e soltou uma risada curta.

— Aí está ele.

— Ele quem?

— O marido ciumento. Bastou eu falar em outro homem e você já ficou com essa cara.

— Continue, Edgar.

— Estou terminando. — Edgar segurou o sorriso e voltou à seriedade. — Um dia pode aparecer alguém que diga que ela está linda quando você esqueceu de dizer. Que perceba que ela está cansada quando você estiver ocupado demais. Que escute quando vocês dois estiverem há semanas sem conseguir conversar. Talvez Olívia nunca atravesse limite nenhum. Eu acredito que não atravessaria. Mas por que deixar sua esposa emocionalmente sozinha dentro do próprio casamento?

Liam passou lentamente o polegar pelo maxilar.

Edgar apontou discretamente para ele.

— Então abre o olho, cunhado. Não para vigiar Olívia. Você já faz isso até demais.

O olhar de Liam se estreitou.

— Para cuidar do casamento.

Dessa vez, Liam não respondeu.

Edgar caminhou novamente em direção à porta, mas parou.

— Sua esposa voltou para você, Liam. Pode estar com raiva, pode estar ferida, pode dizer que te odeia e talvez nem saiba mais o que fazer com tudo que sente... mas voltou.

Virou-se uma última vez.

— Não desperdicem essa segunda chance tentando descobrir quem consegue machucar mais. Vocês já provaram que os dois são excelentes nisso.

Por alguns segundos, nenhum dos dois falou.

Então Liam baixou os olhos para os áudios.

— Edgar.

O cunhado parou.

Liam demorou um instante antes de falar.

— Obrigado.

Era uma palavra simples, mas Edgar conhecia Liam o suficiente para compreender o peso dela.

Apenas assentiu.

— Torço por vocês.

Liam não respondeu. Edgar também não esperou que respondesse e caminhou até a porta.

Quando ela se fechou, a cobertura ficou em completo silêncio.

Liam permaneceu sentado.

O primeiro áudio continuava diante dele na tela.

Passou o polegar uma vez pelo maxilar, os olhos fixos no celular.

E Liam apertou o primeiro áudio.

Na cobertura de Edgar, Laura estava sentada na cama, ao lado de Olívia, com uma das pernas dobradas sob o corpo. Ísis ocupava a poltrona em frente às duas, quieta até demais para os padrões dela, apenas acompanhando a conversa.

Laura observou a cunhada por alguns segundos antes de inclinar a cabeça.

— Cunhadinha, eu vou te falar uma coisa e você pode até querer jogar um travesseiro na minha cara depois, mas espera eu terminar antes de tentar me matar.

Olívia soltou um suspiro cansado.

— Quando você começa assim, eu já fico preocupada.

— E deveria. — Laura apontou para ela, muito séria por dois segundos, antes de abrir um sorriso. — Porque eu tenho opiniões. Muitas. E, infelizmente para vocês, nenhuma vergonha de compartilhá-las.

Ísis cruzou as pernas na poltrona.

— Essa última parte é incontestável.

— Obrigada pelo apoio, cunhada. — Laura lançou um olhar para ela e voltou-se para Olívia. — Mas agora é sério. Eu olho para você e para o meu irmão e vejo duas pessoas que ainda se amam, mas que transformaram o casamento num campo minado. Um pisa errado, o outro explode. Aí vem orgulho, silêncio, acusação, passado, ciúme... e, quando percebem, estão lutando um contra o outro em vez de lutar pelo que construíram.

— Não incentiva — Olívia murmurou.

— Cunhadinha, discussão nenhuma fazia a gente esquecer que também éramos namorados. E isso continua agora que estamos casados. Sempre tivemos uma vida sexual muito boa porque nunca tivemos vergonha de conversar sobre sexo. O que gostávamos, o que não gostávamos, o que queríamos experimentar, o que podia ser dito, o que não era legal dizer... tudo.

Laura deu de ombros.

— Entre quatro paredes, sendo consensual para os dois, o casal decide o que funciona. Não a vizinha, não a família, não a sociedade. Eu reconheço tranquilamente que sou uma piranha entre quatro paredes.

— Meu Deus... — Olívia cobriu o rosto.

Ísis gargalhou.

— Eu sabia que essa conversa chegaria aqui.

— E sou mesmo! — Laura abriu as mãos. — Edgar gosta e também não fica atrás. Às vezes aquele príncipe educadíssimo que vocês conhecem me chama de vagabunda e outras coisas que eu não vou listar porque minha cunhada já está querendo atravessar a parede.

— Eu não precisava saber disso.

— Precisava, sim. Porque contexto é importante. Ele não está me diminuindo. É nosso sexo. É uma linguagem que nós dois aceitamos e que só existe naquele contexto. Eu mesma respondo: “Sou a sua vagabunda.” E acabou. Fora dali, aquele homem me respeita de um jeito que eu nunca precisei questionar.

O sorriso de Laura diminuiu e sua expressão ganhou uma sinceridade inesperada.

— Talvez seja por isso que eu não me canse de dizer que Edgar é um príncipe.

Olívia levantou os olhos.

— Vocês sabem como foi a minha vida. Eu tive muitos homens. Muitos mesmo. E hoje eu me envergonho de algumas escolhas que fiz. Não porque alguém tenha o direito de medir o valor de uma mulher pelo número de parceiros que ela teve. Não tem. Mas porque, olhando para trás, eu sei que todas aquelas relações não tinham nada a ver com liberdade. Eu estava vazia, machucada e tentando preencher alguma coisa do pior jeito possível.

Laura soltou uma risada sem humor.

— Já cansei de dizer que eu nem sei quantos parceiros passaram pela minha cama. E vou repetir uma coisa feia, mas verdadeira: muitas vezes eu usava aqueles homens. Não eram eles que estavam me usando. Era eu. Eu não queria vínculo, não queria promessa, não queria futuro. E casamento? Nem pensar. Se algum dia eu fosse me casar, na minha cabeça só existia um homem.

— Ele realmente é um príncipe. — Olívia murmurou.

— Exatamente.

Laura ficou alguns segundos em silêncio.

— E sabe o que aquele homem me disse quando voltamos? Que, para ele, todos os homens com quem eu tinha transado eram, de alguma maneira, uma tentativa minha de procurar por ele onde ele não estava.

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