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Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia) romance Capítulo 602

Ísis deixou escapar um suspiro baixo.

Laura sorriu emocionada.

— Como é que eu não vou chamar esse homem de príncipe?

Ela passou os dedos pelos cabelos.

— Edgar poderia ter pensado na reputação dele. Médico conceituado, conhecido, respeitado no meio profissional, família tradicional... Poderia ter pensado no que falariam dele por assumir uma mulher com o meu passado. E eu mesma, naquela época, acreditava que dificilmente um homem me levaria a sério para construir uma família. Era assim que eu me enxergava, não uma verdade sobre todas as mulheres.

Laura tocou o próprio peito.

— Mas Edgar não quis saber de fofoca, passado nem julgamento. Ele me assumiu diante de todo mundo. Casou comigo. Me deu o sobrenome dele. Construiu uma família comigo. E depois que tudo ficou esclarecido, nunca usou meu passado para me humilhar durante uma briga. Nunca.

Os olhos dela ficaram brilhantes.

— Vocês duas são testemunhas. Aquele homem me exalta. Cuida de mim. Me ama. Me trata como se eu fosse a mulher mais maravilhosa que já pisou nesse planeta. Às vezes eu olho para ele e penso: “Você sabe com quem casou, querido?”

Ísis riu.

— E ele provavelmente pensa que ganhou na loteria.

— Porque ganhou. — Laura jogou os cabelos para trás, recuperando imediatamente o humor. — Não vamos diminuir meu valor só porque estou emocionada.

Olívia sorriu.

Laura apertou a mão dela.

— Mas eu também cuido dele, cunhadinha. Isso importa. Quando éramos mais novos, Edgar chegava estressado. Às vezes triste. Naquela época ele era pobre, filho de empregado, carregava um monte de insegurança e tinha que engolir muita coisa. Eu podia não compreender completamente o peso que ele carregava, mas eu sabia reconhecer quando aquele homem precisava de mim.

Ela fez um carinho imaginário no próprio colo.

— Eu colocava a cabeça dele aqui, fazia cafuné, deixava ele falar. Às vezes nem dava conselho. Só ouvia. Tocava nele, abraçava, beijava. Homem também precisa de carinho, Olívia. Eles gostam de sentir a mão da mulher no corpo, gostam de abraço, de beijo inesperado, de perceber que ainda despertam desejo.

Laura apontou para a cunhada.

— E isso vale para mulher também. Não adianta um homem achar que casamento significa que acabou a conquista. Mulher precisa continuar se sentindo vista. Desejada. Admirada. Você passa o dia recebendo frieza, cobrança e indiferença e, quando chega a noite, o sujeito acha que basta aparecer na cama com disposição que o corpo da mulher vai apertar um botão e dizer “pronta para uso”.

Ísis soltou uma gargalhada.

— Você não existe.

— Existe uma conexão aqui. — Laura tocou a própria cabeça e depois o peito. — Para muita mulher, desejo começa muito antes do quarto. Começa na forma como ele falou com ela pela manhã, no beijo que deu sem querer nada em troca, no elogio, no jeito que olhou, na sensação de ser amada. Se emocionalmente ela está ferida, é muito mais difícil simplesmente desligar tudo e se entregar fisicamente.

Olívia ficou pensativa.

— E o contrário também acontece — Laura prosseguiu. — Tem mulher que casa e começa a tratar o marido como se ele fosse parte da mobília. Para de elogiar, para de tocar, só lembra dele para reclamar do que esqueceu de fazer. Não estou dizendo para engolir incômodo. Tem que falar. Eu reclamo do Edgar até quando ele respira fora do ritmo que eu considero adequado.

Ísis balançou a cabeça.

— Isso eu acredito.

— Mas existe diferença entre dizer “isso me incomodou” e fazer o homem sentir que nada do que ele faz presta. Comparar, diminuir, ridicularizar, transformar cada erro pequeno numa prova de incompetência... isso corrói qualquer pessoa.

Laura encarou Olívia com mais seriedade.

— O mundo lá fora já cobra demais. Trabalho cobra. Família cobra. Responsabilidade cobra. Tem dia em que a pessoa chega em casa carregando uma guerra que ninguém viu. Casa deveria ser o lugar onde ela consegue baixar a guarda, não encontrar outra trincheira.

Olívia desviou os olhos.

— Liam sempre carregou muita coisa sozinho.

— Exatamente. E isso não significa que você tenha que virar saco de pancada emocional dele. Nem que seja responsável por consertá-lo. Significa apenas que, se vocês escolherem reconstruir esse casamento, os dois precisam aprender a fazer um do outro um lugar seguro.

Laura apertou a mão dela novamente.

— E também precisam voltar a se enxergar como homem e mulher, não só como duas pessoas discutindo problemas. Desejo importa. Intimidade importa. Sexo importa. Não é tudo, mas também não é um detalhe insignificante.

Um sorriso malicioso surgiu devagar.

— Então, se você voltar para o meu irmão, por favor, não transforme aquele homem bonito num colega de condomínio com quem você divide boletos e a criação da Meredith.

— Laura!

Capítulo 602 - Escolher Um ao Outro 1

Capítulo 602 - Escolher Um ao Outro 2

Capítulo 602 - Escolher Um ao Outro 3

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