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Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia) romance Capítulo 632

Fabrício assentiu lentamente.

— Mas nada disso justifica o que fiz depois. — Liam voltou a ficar sério. — O fato de amar Olívia não apaga o contrato. Não apaga que usei a gravidez para pressioná-la a se casar comigo. Não apaga todas as vezes em que tentei controlar aquela mulher porque achava que dinheiro, poder e ordens resolviam qualquer problema.

Fabrício não interrompeu.

— Eu errei muito com sua filha. — Liam entrelaçou as mãos, mantendo os olhos nele. — E não vim aqui tentar convencer o senhor de que fui um bom marido o tempo inteiro porque não fui.

— Mas a ama.

— Mais do que a minha própria vida.

Fabrício sustentou o olhar dele.

— Isso eu sempre soube.

Liam ficou alguns segundos em silêncio.

— Eu sou louco pela Olívia. — A voz saiu firme. — Vou sempre repetir que mato e morro pela minha mulher e pela minha filha.

Fabrício inclinou levemente a cabeça.

— Eu acredito que morreria pelas duas, Liam. — A serenidade voltou ao olhar dele. — Mas espero que tenha aprendido que elas precisam muito mais de você vivo.

Liam permaneceu olhando para ele.

Aquela era exatamente a maneira de Fabrício aconselhar: sem levantar a voz, sem impor, apenas colocando diante dele uma verdade impossível de ignorar.

— Aprendi.

Fabrício assentiu.

— Então vou te fazer novamente uma pergunta. Você mudou por Olívia?

— Não. — Liam respondeu sem hesitar. — Primeiro eu mudei por mim.

Um pequeno sorriso de aprovação surgiu no rosto de Fabrício.

— Boa resposta.

— Porque ninguém muda ninguém. — Liam apoiou as mãos nos joelhos. — Olívia despertou coisas em mim que eu passei a vida inteira ignorando, mas a decisão foi minha. Eu precisava olhar para o homem que era e decidir se queria continuar sendo aquele filho da puta pelo resto da vida.

Fabrício deixou escapar uma risada baixa apesar de tudo.

— Poderia ter escolhido outra palavra.

— Poderia. — Liam deu um leve sorriso. — Mas não seria tão precisa.

Fabrício balançou a cabeça, ainda sorrindo.

— Continue.

— Depois eu quis ser um homem melhor para sua filha. Um marido que ela pudesse amar sem precisar se destruir no processo. — A expressão de Liam se tornou mais séria. — E quando ouvi o coração de Meredith pela primeira vez, entendi que também queria ser um pai melhor para minha filha.

Fabrício observou a emoção contida no rosto dele.

— Que pai você quer ser para Meredith?

Liam respondeu sem precisar pensar.

— Um pai como o senhor.

Fabrício ficou imóvel.

— Como eu?

— Sim. — Liam sustentou o olhar dele. — Presente. Um homem que ama a filha sem tentar ser dono da vida dela. Que aconselha, mas permite que ela faça as próprias escolhas. Que protege sem impedir que ela cresça. Que fez Olívia saber, durante toda a vida, que podia voltar para casa independentemente do que acontecesse.

Os olhos de Fabrício se encheram novamente.

— Liam...

— Ainda não terminei. — Liam engoliu em seco, e a rigidez do maxilar denunciou o esforço para continuar. — Eu quero que Meredith olhe para mim um dia da mesma maneira que Olívia olha para o senhor.

Fabrício baixou os olhos por alguns segundos, visivelmente emocionado.

Quando voltou a encará-lo, havia carinho naquele olhar.

— Então ame sua filha. Esteja presente. Ensine valores, dê limites quando precisar, aconselhe quando ela permitir e, quando ela não permitir, continue por perto mesmo assim. — Um sorriso emocionado surgiu. — E aceite desde já que, por mais que você faça tudo certo, ela ainda vai esconder algumas coisas de você achando que está protegendo seu coração.

Liam deixou escapar uma pequena risada.

— Espero que não.

— É sua filha com Olívia. — Fabrício ergueu as sobrancelhas. — Boa sorte.

Liam sorriu de verdade por um breve instante.

O sorriso, porém, desapareceu quando seus olhos encontraram novamente os de Fabrício.

Ainda existia alguma coisa entre eles.

Uma ferida que aquela conversa não havia apagado.

Fabrício percebeu.

— Você ainda não me perdoou.

Liam ficou em silêncio.

— Não precisa responder, filho. — Fabrício manteve a voz serena. — Eu sei que não.

— Eu confiava no senhor.

— Eu sei.

— O senhor sabia que minha esposa estava viva. — O maxilar de Liam se contraiu. — Sabia que minha filha estava viva. E me deixou acreditar que eu tinha enterrado as duas.

A dor apareceu no rosto de Fabrício, mas ele não desviou o olhar.

— Sim.

— Olívia está tomando medicação controlada.

Fabrício ficou mais sério.

— Desde quando?

— Desde que foi para o Brasil.

Fabrício desviou os olhos por um instante, e Liam viu a informação encontrar lembranças que aquele homem provavelmente estava reorganizando dentro da própria cabeça.

— Eu sabia que ela não estava bem. — Fabrício passou lentamente a mão pelo queixo. — Perguntei tantas vezes...

— Ela escondia muito bem.

— Mais uma coisa que conseguiu esconder de mim. — A constatação veio carregada de tristeza, não de dúvida. Fabrício voltou os olhos para ele. — O que ela está tomando?

Liam lhe disse o nome da medicação.

Fabrício reconheceu imediatamente e permaneceu alguns segundos em silêncio.

— E você descobriu isso ontem?

— Há três dias. Ontem descobri que a medicação tinha sido trocada por uma mais forte.

— Por quê?

Liam hesitou.

Fabrício percebeu.

— Não comece de novo, filho.

— A medicação anterior não estava mais sendo suficiente.

O olhar de Fabrício mudou.

— Para controlar o quê exatamente?

Liam puxou o ar lentamente.

— Depressão. Ansiedade. Crises. Insônia. E outras coisas que começaram no Brasil.

Fabrício recostou-se no sofá, mas os olhos permaneceram presos aos dele.

— É por isso que não consigo falar com minha filha?

— Sim. — Liam assentiu. — A medicação nova é mais forte e está deixando Olívia muito sonolenta. Ela acorda tarde. Hoje, quando saí de Nova York, ainda estava dormindo. Foi por isso que o senhor não conseguiu falar com ela.

Fabrício passou a língua pelos lábios e abaixou os olhos.

— Hoje foram três ligações, mas nos outros dias tentei várias vezes, em horários diferentes. Ela não atendeu nenhuma. Eu já estava a ponto de ir até Nova York.

— Ela não quis falar com o senhor porque sabia que perceberia que não está bem.

— Claro que perceberia. — Fabrício soltou o ar devagar. — Minha filha sempre retorna minhas ligações assim que vê. E eu conheço aquele silêncio dela. Meu coração já estava apertado porque sabia que alguma coisa estava acontecendo.

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