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Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia) romance Capítulo 633

Ele tornou a encarar Liam.

— Como você descobriu?

— Olívia foi a uma consulta. Meu avô estava na clínica naquele dia e a viu saindo do consultório. Foi assim que descobriu a medicação. — Liam fez uma pequena pausa. — Ele pediu que Marina deixasse o remédio visível naquela noite para que eu descobrisse também.

Fabrício franziu levemente a testa.

— Frederico mexendo as peças do tabuleiro.

— Exatamente.

— E Alex?

— Alex pediu que a medicação ficasse supervisionada. Tinha medo de que a história da minha mãe se repetisse por completo.

Fabrício se levantou devagar e passou a mão pela nuca enquanto caminhava alguns passos pela sala.

— Meu Deus... minha Pérola Negra. — Parou diante da janela. — Sempre tão saudável, cheia de vida, cheia de sonhos, expectativas, uma mente brilhante... agora precisando de medicação para conseguir atravessar tudo isso.

Liam permaneceu calado.

Fabrício virou-se novamente para ele e alguma coisa naquele silêncio do genro o incomodou.

— Ainda tem mais.

Não foi uma pergunta.

Liam não respondeu imediatamente.

— Liam.

— Sim.

Fabrício inspirou fundo.

— Então fale.

Liam passou uma das mãos pelo rosto. Contar aquilo continuava sendo quase tão difícil quanto tinha sido ouvir de Marina.

— Quando Olívia estava no Brasil... ela tentou tirar a própria vida.

Fabrício não reagiu.

Por alguns segundos, pareceu sequer ter compreendido as palavras.

Piscou uma vez.

Depois outra.

— O quê?

A voz saiu tão baixa que Liam quase não a ouviu.

— Ela tentou se matar.

A cor desapareceu do rosto de Fabrício.

— Não.

Liam permaneceu imóvel.

— Não... — Fabrício balançou lentamente a cabeça, como se a negativa pudesse desfazer o que acabara de ouvir. — Minha filha não...

A mão dele foi ao peito.

Liam se levantou no mesmo instante.

— Senhor Fabrício?

— Espera.

Fabrício puxou o ar, mas a respiração não veio como deveria. Levou a outra mão ao nó da gravata e tentou afrouxá-lo, os dedos falhando na primeira tentativa.

Liam chegou até ele e o guiou de volta ao sofá.

— Está com dor?

— Não... só... — Fabrício conseguiu afrouxar a gravata e abriu o primeiro botão da camisa. — Só me dê um minuto.

— Eu vou levá-lo para o hospital.

— Não. — Fabrício fechou os olhos, tentando controlar a respiração. — Espere.

— O senhor está pálido.

— Liam, não estou com dor. — Fabrício apoiou a cabeça no encosto do sofá e respirou mais devagar.

— O senhor já quase... — Liam não conseguiu terminar. — Eu não vou esperar.

Fabrício abriu os olhos e apontou para a mesa com a mão trêmula.

— Filho... primeira gaveta. Tem meu remédio.

Liam atravessou a sala imediatamente, abriu a primeira gaveta e encontrou o medicamento indicado. Pegou também o copo de água que estava sobre a mesa e voltou para o sofá.

Fabrício continuava recostado, com uma das mãos sobre o peito.

Liam colocou o comprimido na palma dele e estendeu o copo.

— Tome.

Fabrício bebeu alguns goles antes de devolver o copo.

— Se não melhorar em poucos minutos, eu vou levá-lo ao hospital.

— Depois vieram as notícias de Califórnia. Eu fui a um evento, bebi mais do que deveria e minha secretária ficou comigo na suíte. Mais tarde, comprei um apartamento para ela. Olívia soube disso por Alberto. Edgar gravou uma conversa dela com Laura e Ísis. E não posso esquecer de Charlotte.

Fabrício estreitou os olhos.

— Como assim?

Liam explicou tudo. Quando terminou, Fabrício permaneceu atento.

— Então a mulher da Califórnia é a mesma sobre quem Olívia está desconfiada agora?

— A mesma.

Fabrício sustentou o olhar do genro.

— Meu filho, eu conheço você e sei que, com Charlotte, estava lúcido e não deu qualquer abertura. Mas, com Melissa, você estava bêbado. Então vou perguntar porque preciso ouvir de você: aconteceu alguma coisa entre vocês?

— Nunca. — Liam respondeu sem hesitar. — Melissa é lésbica, senhor Fabrício. Muito bem casada. Nunca houve interesse entre nós. É a primeira secretária com quem realmente me dou bem. Existe respeito. Ela sabe quando brincar e quando ser profissional. Em pouco tempo ganhou minha confiança.

Fabrício continuou ouvindo.

— Naquela noite, ela cuidou de mim. E provavelmente evitou que alguma mulher entrasse naquela suíte e criasse uma situação capaz de destruir ainda mais a minha vida e, principalmente, a vida da minha mulher. Eu estava bêbado demais para perceber uma armação.

A expressão dele escureceu.

— Olívia não suportaria se eu engravidasse outra mulher.

Fabrício assentiu lentamente.

— Mas ela não sabia disso.

— Não. Não sabia quem era a mulher que tinha passado a noite na minha suíte. Muito menos a orientação sexual de Melissa. E não sabe o verdadeiro motivo de eu ter comprado aquele apartamento para ela.

— Então juntou uma coisa com a outra.

— Sim.

Fabrício abaixou os olhos, reorganizando tudo o que acabara de ouvir.

— Então, enquanto estava no Brasil, ela tinha Bárbara e a viagem para Califórnia na cabeça. — Passou lentamente os dedos pelo queixo. — Viu aquela mulher aparecer no restaurante, depois soube que Melissa passou a noite na sua suíte e ainda descobriu que você comprou um apartamento para ela.

— Sim. — Liam apoiou os antebraços sobre as pernas. — Foi com essas informações que Olívia construiu a certeza de que eu tinha seguido em frente enquanto ela estava escondida no Brasil.

Fabrício assentiu devagar.

— E Charlotte veio depois.

— Já em Nova York. — O maxilar de Liam se contraiu discretamente. — E, para Olívia, não apareceu como uma situação isolada. Charlotte chegou quando minha mulher já acreditava que existia um padrão. Ela não olhou para aquela mulher e pensou apenas em Charlotte. Olhou e enxergou mais uma peça se encaixando na história que já tinha construído sobre mim.

— Mesmo você não tendo dado abertura nenhuma.

— Mesmo assim. — Liam sustentou o olhar dele. — Porque Olívia não estava julgando apenas o que aconteceu com Charlotte. Estava somando Charlotte a Bárbara, Melissa, às viagens, ao apartamento e a tudo o que Alberto vinha colocando na cabeça dela.

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