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Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia) romance Capítulo 700

Victor soltou o ar, mas não discutiu. Levantou-se devagar e acompanhou Bárbara até o quarto, sentando-se na beirada da cama assim que chegaram.

— Melhor? — perguntou ela, parando diante dele.

— Ainda não deitei.

— Engraçadinho. — Bárbara revirou os olhos e se aproximou.

Victor acompanhou seus movimentos em silêncio quando ela parou entre suas pernas. Bárbara levou as mãos até o blusão dele e começou a abrir os botões, concentrada no que fazia, mas conseguiu soltar apenas os primeiros antes de sentir os dedos de Victor se fecharem delicadamente ao redor de seus pulsos.

Ela parou.

— Por que você está fazendo isso? — perguntou Victor, olhando diretamente para ela.

Bárbara ergueu os olhos devagar.

— Fazendo o quê?

— Isso. — Ele baixou brevemente o olhar para as mãos dela em seu blusão e tornou a encará-la. — Me trouxe para sua casa, me deu remédio, praticamente me obrigou a vir para o seu quarto e agora está cuidando de mim. Por quê?

Por um segundo, Bárbara não encontrou uma resposta.

Porque ainda conseguia enxergá-lo agachado naquele estacionamento, apertando a cabeça entre as mãos. Porque a imagem dele naquela cama de hospital havia voltado inteira à sua memória. Porque, quando Victor cambaleou, alguma coisa dentro dela entrou em pânico de uma maneira que não conseguia explicar.

Porque vê-lo correndo em direção a um homem armado para salvá-la havia provocado nela algo ainda mais difícil de nomear.

Mas nada disso saiu de sua boca.

Bárbara puxou delicadamente os pulsos, fazendo Victor soltá-los.

— Porque, se acontecer alguma coisa com você, a culpa vai ser minha. — Ela voltou a abrir os botões do blusão, evitando seus olhos. — Você só está assim porque resolveu bancar o herói naquele estacionamento por minha causa. E eu não gosto de dever favor para ninguém.

Victor permaneceu observando-a.

— É só por isso?

Os dedos de Bárbara pararam sobre o último botão.

A pergunta a incomodou mais do que deveria.

Ela levantou o rosto e encontrou Victor ainda esperando sua resposta.

— O que mais seria?

Victor sustentou o olhar dela por mais um instante, mas alguma coisa em sua expressão mudou. Ele desviou os olhos e soltou lentamente os pulsos dela.

— Nada. Esquece.

Bárbara franziu discretamente a testa. Por algum motivo, a maneira como ele encerrou o assunto provocou nela uma pequena inquietação que não soube explicar, mas preferiu ignorá-la e terminou de abrir o último botão.

— Deita.

Victor obedeceu, acomodando-se na cama, e Bárbara se abaixou para retirar seus sapatos.

— Não precisa fazer isso.

— Você consegue ficar cinco minutos sem reclamar?

— Consigo.

— Então começa agora. — Ela deixou os sapatos ao lado da cama e se levantou. — Vou pegar um edredom.

Bárbara entrou no closet e permaneceu ali alguns segundos a mais do que precisava. Segurou o edredom contra o corpo e respirou fundo, tentando afastar a imagem de Victor curvado de dor antes de voltar para o quarto.

Ao se aproximar da cama, observou-o com atenção. Victor permanecia deitado, os olhos fechados e a respiração mais tranquila do que alguns minutos antes.

— A dor está melhorando? — perguntou, abrindo o edredom sobre ele.

— Um pouco.

Bárbara assentiu, sentindo a tensão em seu peito diminuir discretamente enquanto ajeitava o edredom sobre o corpo dele.

— Você jantou?

— Não.

Bárbara ergueu os olhos imediatamente.

— Não?

— Cheguei de viagem e estava indo para o restaurante.

— Você tomou o remédio sem comer?

Ela soltou o ar pelo nariz e puxou o edredom até a altura do peito dele.

— Claro. Porque aparentemente sobreviver a um atentado não foi suficiente para desenvolver nenhum instinto de autopreservação.

Victor ergueu discretamente um canto da boca.

— Está brigando comigo agora?

— Estou tentando evitar que você me dê mais problema.

O pequeno sorriso desapareceu do rosto dele.

— Pode ficar tranquila. Assim que essa dor passar, eu vou embora e deixo de ser problema seu.

Bárbara sentiu alguma coisa apertar dentro do peito.

— Eu não falei isso.

— Não precisa explicar. Eu entendi.

Ela o encarou por um instante, incomodada com aquela frieza repentina que conhecia bem demais.

— Está confortável?

— Estou.

— Esse travesseiro está ruim.

— Está bom.

— Para mim, não está. Levanta um pouquinho a cabeça.

Victor obedeceu, e Bárbara se inclinou sobre ele para ajeitar o travesseiro. Passou uma das mãos por baixo de sua cabeça, puxou-o um pouco para cima e acertou a lateral.

Quando terminou, percebeu que Victor estava olhando para ela.

Bárbara parou.

Os rostos estavam próximos demais.

Nenhum dos dois desviou.

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