Victor soltou o ar, mas não discutiu. Levantou-se devagar e acompanhou Bárbara até o quarto, sentando-se na beirada da cama assim que chegaram.
— Melhor? — perguntou ela, parando diante dele.
— Ainda não deitei.
— Engraçadinho. — Bárbara revirou os olhos e se aproximou.
Victor acompanhou seus movimentos em silêncio quando ela parou entre suas pernas. Bárbara levou as mãos até o blusão dele e começou a abrir os botões, concentrada no que fazia, mas conseguiu soltar apenas os primeiros antes de sentir os dedos de Victor se fecharem delicadamente ao redor de seus pulsos.
Ela parou.
— Por que você está fazendo isso? — perguntou Victor, olhando diretamente para ela.
Bárbara ergueu os olhos devagar.
— Fazendo o quê?
— Isso. — Ele baixou brevemente o olhar para as mãos dela em seu blusão e tornou a encará-la. — Me trouxe para sua casa, me deu remédio, praticamente me obrigou a vir para o seu quarto e agora está cuidando de mim. Por quê?
Por um segundo, Bárbara não encontrou uma resposta.
Porque ainda conseguia enxergá-lo agachado naquele estacionamento, apertando a cabeça entre as mãos. Porque a imagem dele naquela cama de hospital havia voltado inteira à sua memória. Porque, quando Victor cambaleou, alguma coisa dentro dela entrou em pânico de uma maneira que não conseguia explicar.
Porque vê-lo correndo em direção a um homem armado para salvá-la havia provocado nela algo ainda mais difícil de nomear.
Mas nada disso saiu de sua boca.
Bárbara puxou delicadamente os pulsos, fazendo Victor soltá-los.
— Porque, se acontecer alguma coisa com você, a culpa vai ser minha. — Ela voltou a abrir os botões do blusão, evitando seus olhos. — Você só está assim porque resolveu bancar o herói naquele estacionamento por minha causa. E eu não gosto de dever favor para ninguém.
Victor permaneceu observando-a.
— É só por isso?
Os dedos de Bárbara pararam sobre o último botão.
A pergunta a incomodou mais do que deveria.
Ela levantou o rosto e encontrou Victor ainda esperando sua resposta.
— O que mais seria?
Victor sustentou o olhar dela por mais um instante, mas alguma coisa em sua expressão mudou. Ele desviou os olhos e soltou lentamente os pulsos dela.
— Nada. Esquece.
Bárbara franziu discretamente a testa. Por algum motivo, a maneira como ele encerrou o assunto provocou nela uma pequena inquietação que não soube explicar, mas preferiu ignorá-la e terminou de abrir o último botão.
— Deita.
Victor obedeceu, acomodando-se na cama, e Bárbara se abaixou para retirar seus sapatos.
— Não precisa fazer isso.
— Você consegue ficar cinco minutos sem reclamar?
— Consigo.
— Então começa agora. — Ela deixou os sapatos ao lado da cama e se levantou. — Vou pegar um edredom.
Bárbara entrou no closet e permaneceu ali alguns segundos a mais do que precisava. Segurou o edredom contra o corpo e respirou fundo, tentando afastar a imagem de Victor curvado de dor antes de voltar para o quarto.
Ao se aproximar da cama, observou-o com atenção. Victor permanecia deitado, os olhos fechados e a respiração mais tranquila do que alguns minutos antes.
— A dor está melhorando? — perguntou, abrindo o edredom sobre ele.
— Um pouco.
Bárbara assentiu, sentindo a tensão em seu peito diminuir discretamente enquanto ajeitava o edredom sobre o corpo dele.
— Você jantou?
— Não.
Bárbara ergueu os olhos imediatamente.
— Não?
— Cheguei de viagem e estava indo para o restaurante.
— Você tomou o remédio sem comer?
Ela soltou o ar pelo nariz e puxou o edredom até a altura do peito dele.
— Claro. Porque aparentemente sobreviver a um atentado não foi suficiente para desenvolver nenhum instinto de autopreservação.
Victor ergueu discretamente um canto da boca.
— Está brigando comigo agora?
— Estou tentando evitar que você me dê mais problema.
O pequeno sorriso desapareceu do rosto dele.
— Pode ficar tranquila. Assim que essa dor passar, eu vou embora e deixo de ser problema seu.
Bárbara sentiu alguma coisa apertar dentro do peito.
— Eu não falei isso.
— Não precisa explicar. Eu entendi.
Ela o encarou por um instante, incomodada com aquela frieza repentina que conhecia bem demais.
— Está confortável?
— Estou.
— Esse travesseiro está ruim.
— Está bom.
— Para mim, não está. Levanta um pouquinho a cabeça.
Victor obedeceu, e Bárbara se inclinou sobre ele para ajeitar o travesseiro. Passou uma das mãos por baixo de sua cabeça, puxou-o um pouco para cima e acertou a lateral.
Quando terminou, percebeu que Victor estava olhando para ela.
Bárbara parou.
Os rostos estavam próximos demais.
Nenhum dos dois desviou.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)
Que lindos 😭😭🤍🤍🤍...
oiê está faltando o capitulo 560! houve atualização da escritora! poderiam atualizar aqui tbm por favorzinho. kkkk...
acabou o livro? nunca mais saiu nada...
Essa demora para liberar os capítulos é horrível....
Esses livro não acaba mais🤣...
cadeeee os demais capitulos????????????????????????????/...
Onde está o capítulo 660??...
Haaaa, preciso de mais! Por favor....
por favor atualizem! escritora já soltou novos capítulos....
Aguardando os capítulos novos...