Victor fechou os olhos por um instante.
— É uma dor que eu já tenho.
Bárbara ficou imóvel.
— Como assim, uma dor que você já tem?
— Desde o atentado. Às vezes acontece.
A resposta não a tranquilizou. Pelo contrário.
— E você fala isso como se fosse normal?
— Para mim já é.
Bárbara levou uma das mãos trêmulas ao rosto, visivelmente abalada.
— Meu Deus...
— Eu tenho remédio.
— Victor, você ficou em coma! — Ela tornou a segurá-lo pelo braço, olhando diretamente para ele. — Eu vi você naquele hospital. Eu vi como você ficou. Você mal lembrava das pessoas, mal conseguia conversar comigo e agora está aqui me dizendo que se acostumou a sentir uma dor que faz você se dobrar no chão?
Victor permaneceu calado, ainda respirando profundamente.
— Eu não vou para o hospital.
— E eu não vou deixar você ir embora sozinho desse jeito. — Bárbara virou-se imediatamente para os seguranças. — Por favor, me ajudem a colocar ele no meu carro.
Os homens se aproximaram, e Victor não teve forças para discutir enquanto era conduzido até o veículo. Bárbara correu à frente e abriu a porta do passageiro. Assim que ele sentou-se, ela se abaixou diante dele, segurando seu braço com as duas mãos.
— Eu vou levar você para o hospital.
— Não vai. — Victor abriu os olhos e segurou um dos braços dela. — Bárbara, eu não quero ir para o hospital.
— Eu não estou perguntando o que você quer.
— Eu estou cansado de hospital.
A firmeza dela vacilou por um segundo.
Bárbara conhecia o suficiente da história para entender o peso daquela frase. Victor havia passado tempo demais entre exames, médicos, aparelhos, perguntas que não conseguia responder e pessoas tentando ajudá-lo a recuperar lembranças que simplesmente não estavam ali.
Mas o medo continuava maior.
— Eu entendo que você esteja cansado — disse, mais baixo, passando os dedos trêmulos pelo braço dele. — Mas eu prefiro que você fique com raiva de mim dentro de um hospital do que correr o risco de acontecer alguma coisa com você porque resolveu bancar o forte.
Victor soltou lentamente o ar.
— Pega minha mochila no carro. Meu remédio está lá.
Bárbara o encarou por alguns segundos, dividida.
— Se esse remédio não fizer efeito, eu vou levar você. E você pode brigar comigo o quanto quiser depois.
— Bárbara...
— Não. — Ela segurou o rosto dele entre as mãos, e os olhos voltaram a se encher. — Você acabou de se colocar na frente de um homem armado por mim. Então, pelo menos agora, deixa eu cuidar de você.
Victor ficou em silêncio.
Bárbara respirou fundo e tentou controlar o tremor das mãos.
— Cadê a chave? Qual é o seu carro?
Victor indicou o veículo. Bárbara procurou a chave nos bolsos da calça dele, atrapalhando-se com os próprios dedos até finalmente encontrá-la.
— Esse ali — murmurou Victor.
— Tá. — Antes de se afastar, ela segurou novamente o rosto dele entre as mãos e esperou até que abrisse os olhos. — Vai ficar tudo bem. Eu vou cuidar de você.
Bárbara fechou a porta, correu até o carro de Victor, pegou a mochila, tornou a trancar o veículo e acionou o alarme antes de voltar.
Assim que entrou no carro, colocou a mochila sobre o colo.
— Onde está?
— Bolso da frente. A cartela do meu remédio.
Bárbara abriu o compartimento com as mãos ainda trêmulas, encontrou a cartela e a mostrou.
— Esse?
Victor confirmou com a cabeça.
Ela retirou o comprimido, pegou a garrafa de água e levou o remédio até a boca dele antes de aproximar a garrafa de seus lábios.
— Bebe.
Victor obedeceu. Bárbara segurou a garrafa enquanto ele tomava alguns goles, observando atentamente seu rosto como se procurasse qualquer sinal de piora.
Quando Victor terminou, abriu os olhos.
Os dois se encararam.
Bárbara ainda mantinha uma das mãos próxima ao rosto dele, e só então percebeu o quanto estavam perto. Por alguns segundos, nenhum dos dois se moveu. A lembrança de tudo o que aconteceu entre eles pareceu atravessar aquele silêncio, mas o medo dela ainda era grande demais para permitir que permanecesse ali.
Bárbara desviou os olhos e fechou a garrafa.
— Eu vou levar você para a minha casa.
Victor apoiou novamente a cabeça no encosto.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)
Que lindos 😭😭🤍🤍🤍...
oiê está faltando o capitulo 560! houve atualização da escritora! poderiam atualizar aqui tbm por favorzinho. kkkk...
acabou o livro? nunca mais saiu nada...
Essa demora para liberar os capítulos é horrível....
Esses livro não acaba mais🤣...
cadeeee os demais capitulos????????????????????????????/...
Onde está o capítulo 660??...
Haaaa, preciso de mais! Por favor....
por favor atualizem! escritora já soltou novos capítulos....
Aguardando os capítulos novos...