A família Torres mostrava expressões variadas.
Nem sequer tinham tido tempo de pensar em como acomodá-la.
E ela não só tinha voltado, como também estava grávida.
De quem seria o filho?
Só de pensar nisso, os membros da família Torres quase desmaiavam.
Se fosse o filho do cunhado, a família Torres nunca teria passado por uma vergonha tão grande em mais de cem anos!
Gabriela Santos também sabia que eles preferiam Clarissa Gomes. Com humildade, disse em voz baixa: "Naquele momento, eu me deixei levar pela confusão, mas agora já reconheço meu erro. Daqui pra frente, prometo que vou mudar..."
"Não precisa se preocupar com isso agora."
Patrick Torres interrompeu friamente, perguntando sem rodeios: "Primeiro diga, de quem é esse filho que você espera?"
Vendo que ela não respondia, Patrick fez um estalo com a língua: "É do Victor Tavares?"
"..."
Gabriela manteve a cabeça baixa, sem dizer nada.
Patrick arqueou as sobrancelhas, levantou-se e olhou para Nélia Torres: "Irmã, tenho que voltar para Cidade Alta, ainda tenho coisas pra resolver lá. Obrigado por cuidar da casa."
O que ele queria dizer era que não suportava passar nem mais um segundo na presença daquela irmã.
Eduardo Torres também olhou para o relógio de pulso antes de se levantar: "Eu também preciso ir. Tenho uma reunião importante com a diretoria da filial à tarde."
"..."
Nélia apenas lançou um olhar de canto para eles, sem dizer nada.
O que ninguém esperava era que, no corredor do elevador, Elena Lessa também descia novamente, acompanhada de uma empregada que carregava uma pequena mala.
A testa de Nélia se franziu levemente. "Mãe, a senhora vai...?"
"Já está na hora de eu voltar para Cidade Alta e retomar o tratamento."
Enquanto falava, o olhar de Elena passou friamente por Gabriela.
O sentimento em seu peito era de grande desconforto.
Gabriela aproveitou a oportunidade e se mostrou dócil: "Mãe, eu também estudei medicina tradicional. Quer que eu dê uma olhada na senhora?"
Elena estava prestes a recusar, mas ao pensar melhor... não conseguiu ser tão dura.
Sófia tinha se tornado aquela pessoa, e como mãe, ela também tinha responsabilidade...
"Na coletiva de imprensa, alguém já tinha perguntado qual era o relacionamento entre Clarissa e o Diretor Pacheco! No fim, são dois aproveitadores sem escrúpulos!"
Se Clarissa não tivesse revisado os registros de acompanhamento dos pacientes recentemente, quase acreditaria nas acusações.
No entanto, ao ver as palavras "aproveitadores sem escrúpulos", Clarissa levantou os olhos instintivamente e lançou um olhar para Felipe Pacheco, sentado na área semiaberta do escritório.
O homem, provavelmente temendo que ela se deixasse abalar pela situação, não foi trabalhar no Grupo Pacheco depois do café da manhã. Já participara de várias reuniões online naquela manhã.
E agora, continuava em reunião.
Sua postura rígida era acentuada pelos óculos sem aro e pela camisa preta feita sob medida, com os dois primeiros botões desabotoados, as mangas casualmente arregaçadas, revelando pulsos delgados e fortes.
De certa forma, sua imagem correspondia à fama de "carrasco" que circulava no público.
De repente, um telefone tocou ao lado.
Ela viu o nome no visor, ficou surpresa por um instante e então atendeu: "Oi, Sra. Lessa."
Era Elena quem ligava.
Na noite anterior, ao saber que Gabriela poderia ser a filha caçula da família Torres, Clarissa ficou bastante confusa.

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