Heitor adorava mordiscá‑la de leve, beijá‑la, enroscar o corpo no dela até esgotar qualquer sobra de energia.
De repente, Patrícia se lembrou do que Marcelo tinha dito.
Nos últimos tempos, Heitor tinha sido bom demais com ela. Ele vivia tentando agradá‑la, suportava qualquer explosão de humor sem reclamar. Mesmo quando ele já estava à beira de perder o controle do próprio desejo, bastava ela dizer que não queria e ele recuava, paciente. Quando eles ficavam a sós, ele grudava nela o tempo inteiro, como se não soubesse existir sem aquele contato.
Ela gostava disso. Gostava muito. Mas, lá no fundo, ela sentia que aquilo não duraria pra sempre. O Heitor que ela conhecia tinha sido frio, distante, quase inacessível. Era o homem que evitava dormir encostado nela, que sempre criava um vão na cama entre os dois.
E ninguém passa a vida inteira disposto a se rebaixar tanto assim, a andar em volta do outro em círculos, com tanto cuidado, por tempo indefinido.
Quando ele conseguisse o que queria, será que aquele Heitor arrogante e intocável não voltaria?
Patrícia levou os dedos aos lábios dele, afastando o beijo devagar.
— Você acha que o nosso casamento vai durar mesmo? — Ela perguntou.
O olhar de Heitor vacilou por um segundo:
— Por que soltar uma dessas do nada? Claro que vai durar. A gente não combinou que não ia se divorciar? Você prometeu que ia ter um filho comigo. Você… tá voltando atrás?
Ele começou a ficar aflito.
Vendo a reação dele, Patrícia preferiu ser sincera:
— Não é isso. É que eu não tenho muita fé na nossa relação.
Heitor afastou com cuidado uma mecha de cabelo solta perto da orelha dela. A voz dele saiu baixa, rouca nas bordas, com uma doçura que ela não via antes:
— Eu sei que você não confia em mim. Eu já menti, fiz muita besteira. Mas me dá tempo, por favor. Eu vou provar que eu posso ser um bom marido. E um bom pai.
Naquele tom, havia até um quê de manha. Era o tipo de coisa que quebraria qualquer um, por mais duro que tentasse ser com o próprio parceiro.
Patrícia teve que fazer força para resistir. Por dentro, ela estava derretida, mas por fora, ela manteve o ar contido:

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