Entrar Via

Sem Toque, Um Amor Desperdiçado romance Capítulo 230

Sandro não fazia a menor ideia do que significava desviar dinheiro de empresa ou ter todos os bens congelados. Ele não entendia nada daquilo. Ele só sabia que Hana tinha se metido em algum problema com a Justiça e acreditava que, no máximo, ela teria que gastar um pouco mais com advogados. Na cabeça dele, era óbvio que Hana iria salvá‑lo, contratar mais cuidadores, garantir conforto para o resto da vida.

O médico também não entendeu a reação dela:

— O seu pai ainda tem chance de sobreviver. A cirurgia dele já foi praticamente toda feita, só precisamos de mais…

— Não precisa. Eu não fui clara? Eu não vou pagar um centavo a mais pelo tratamento dele. Vocês também não vão continuar tratando.

A voz fria de Hana entrou várias vezes pelos ouvidos de Sandro, deitado na cama.

Depois disso, ela se virou e saiu. Nem lançou um último olhar.

Alguns minutos mais tarde, a equipe médica começou a desconectar os aparelhos. Um aperto sufocante tomou conta do peito de Sandro. Ele sentia que faltava ar. Ia morrer asfixiado. O quarto escuro estava completamente vazio. Cada segundo parecia um dia inteiro. Os fluidos que vazavam se acumulavam naquele corpo magro e ressequido, exalando um cheiro podre, ácido. Sandro, o mesmo homem que, sob o nome de Igor, tinha condenado Osvaldo a uma meia‑vida de sofrimento, resistiu por longas cinco horas até, finalmente, parar de respirar.

...

No café da manhã, Heitor pediu que o chef da casa preparasse uma refeição bem caprichada. Assim que terminaram de comer, Patrícia se levantou para ir trabalhar.

Heitor a levou de carro. Quando ela desceu, ele falou:

— Se comporta. Na saída, me espera que eu venho te buscar.

Em seguida, Heitor deu meia‑volta e saiu dirigindo. O destino dele era o hospital. Ele entrou no quarto de Cláudio.

Vanessa já tinha acordado e estava terminando a higiene. Heitor colocou o café da manhã quente sobre a mesinha, esperando que ela saísse para comer. Depois, ele se aproximou do leito de Cláudio.

— Pai. — Chamou ele, com doçura.

Cláudio abriu os olhos. A voz saiu abafada pelo respirador:

— Isso aqui é alguma piada? O lucro líquido cai mês após mês, e no mês passado vocês conseguiram a façanha de fechar no vermelho. Se a diretoria inteira não passa de um bando de parasitas inúteis, eu só tenho uma solução: demitir todos vocês.

Assim que Patrícia anunciou essa notícia, um coro de protestos e xingamentos estourou. Um dos diretores, exaltado, partiu para cima, mas os seguranças o imobilizaram e o prensaram contra a mesa antes que ele chegasse perto.

— Você não entende nada, sua vadia! Foi pra fora do país e se deitou com alto executivo estrangeiro pra chegar aqui? Com que moral você vem punir a gente?

Desde que Patrícia tinha assumido, aquele executivo já andava espalhando que ela só tinha subido de cargo porque tinha se envolvido com Burns, o presidente rotativo estrangeiro do conselho. Um mês inteiro alimentando o boato de que ela tinha passado a noite com Burns para conquistar a presidência.

— A gente é tudo gente que construiu a família Mendes. Você não tem poder pra me mandar embora. Você que tá transformando isso aqui num caos, sua vadia. Eu vou falar com o Sr. Heitor…

Foi justamente nesse momento que a porta da sala de reuniões se abriu.

Um homem alto, de terno preto impecável, entrou sem dizer uma palavra.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Sem Toque, Um Amor Desperdiçado