A sala de reuniões estava tomada por insultos contra Patrícia. Vários executivos gritavam que iam procurar Heitor para "denunciar" o comportamento dela.
Foi então que a porta se abriu. Todos voltaram o rosto ao mesmo tempo e congelaram.
Era Heitor.
Ele entrou com a postura ereta de sempre, vestindo um terno grosso, inteiro em preto: paletó, camisa, gravata. A estrutura larga, os traços frios, o olhar afiado. Ele não precisava levantar a voz para impor respeito. A presença dele pesava sozinha.
As vozes dos velhos diretores murcharam no ato.
Heitor avançou pela sala. O diretor de vendas, que os seguranças mantinham prensado contra a mesa, abriu a boca para acusar Patrícia. Bastou um olhar de Heitor, e o segurança empurrou a cabeça do homem com força contra o tampo.
O estrondo ecoou. O grito veio logo depois.
Na tentativa de falar, ele mordeu a própria língua, e o sangue espirrou. Em segundos, a boca dele estava cheia de vermelho.
Heitor caminhou até ficar atrás da cadeira de Patrícia.
Alguns dos executivos começaram a demonstrar medo abertamente. Só um homem de meia‑idade ainda se atreveu a falar:
— Presidente, quando o senhor assumiu, prometeu que ia manter a gente aqui até a aposentadoria. Essa mulher tá interferindo de forma irresponsável na gestão do grupo, abusando do cargo pra tentar expulsar a gente. Ela vai transformar tudo numa bagunça. O senhor devia destituir ela.
Heitor ouviu sem se alterar:
— Vocês sabem quem ela é?
O homem que tinha falado engoliu seco. Ele olhou para o colega que sangrava em cima da mesa, de olhos marejados e mudo de dor, e já começou a sentir um frio na espinha:
— Quem… quem ela é?
— Não importa quem seja. — Alguém tentou retrucar. — Empresa da família Mendes tem que ficar com gente da família Mendes.
— Isso mesmo. — Alguém reforçou. — E ela, além de mulher, só deve entender de "serviço de cama"…
O rosto de Heitor endureceu de repente:

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