Patrícia levou um susto ao ouvir a voz de Heitor.
Ele não tinha ido embora.
Sob a luz do corredor, Heitor parecia impecável, com um semblante frio e uma elegância natural que atraía olhares. Era exatamente essa aparência impecável que, tantas vezes, havia feito Patrícia perder o controle sobre seus próprios sentimentos.
No entanto, naquele momento, os olhos de Heitor estavam cobertos por uma escuridão gélida, algo mais frio e sombrio do que a própria noite.
Patrícia olhou para ele e disse:
— Heitor, devolva meu celular.
Heitor balançou a cabeça, recusando-se a devolver.
— Heitor, seu idiota. — Disse Patrícia, sentindo-se humilhada. — Eu não vou mais ligar para ninguém, mas devolva o meu celular, por favor.
Ela não queria que Heitor soubesse que Tábata era, na verdade, filha ilegítima de seu pai. Ela tinha medo de que ele usasse essa informação para falar com Tábata e criar ainda mais caos.
Heitor manteve a expressão sombria. Ele segurou o celular na frente dos olhos e viu que a ligação ainda não havia sido encerrada. Levando o aparelho até a boca, ele falou com uma voz carregada de sarcasmo:
— Minha esposa não precisa da sua preocupação. Meu querido primo.
Sem esperar por uma resposta de Marcelo, Heitor encerrou a ligação, bloqueou o número dele no WhatsApp e o removeu dos contatos. Só então ele devolveu o celular para Patrícia.
Patrícia pegou o celular de volta e, ao verificar a lista de contatos, ela viu o que Heitor havia feito. Furiosa, ela perguntou:
— Por que você fez isso? Por que você acha que pode simplesmente apagar meus contatos assim?
Heitor, com um tom desafiador, pegou o próprio celular e o entregou para ela:
— Pode apagar os meus também, se quiser.
Patrícia desbloqueou o celular de Heitor e imediatamente foi bombardeada com mensagens de Tábata.
[Heitor, onde você está?]
[Vão tirar sangue de mim de novo. Estou com tanto medo. Eu odeio agulhas! Heitor, quero que você me abrace.]
[Heitor, você pode me abraçar, por favor?]
[Heitor! Sem você aqui comigo, estou tão triste. Não consigo nem comer. Estou tão mal que até vomitei.]
...
Patrícia, sem hesitar, moveu seus dedos na tela do celular e respondeu à última mensagem.
[Parabéns pelo seu segundo filho!]
Depois de enviar a mensagem, Patrícia bloqueou o contato de Tábata no WhatsApp e a removeu da lista de contatos de Heitor.
Heitor olhou para ela e perguntou:
— Satisfeita agora, Sra. Mendes?
— Vamos para casa? — Ele pediu, quase implorando.
Patrícia balançou a cabeça e respondeu:
— Eu não quero voltar. Estou cansada. Quero ir dormir.
Heitor insistiu:
— Isso é perfeito. Vamos dormir juntos.
— Heitor, volte para casa. Quero ficar aqui por um tempo. — Disse Patrícia, com a voz firme.
Patrícia estava exausta de tudo. Não queria mais pensar no que Heitor e Tábata poderiam fazer ou não. Além disso, saber que Tábata era a prova viva do caso de seu pai fora um golpe devastador. Para Patrícia, tudo estava desmoronando.
Patrícia sabia que, mesmo que tivesse apagado o contato de Tábata, Heitor provavelmente voltaria a adicioná-la. Ele não era do tipo que desistiria dela tão facilmente.
Patrícia sentiu uma tristeza profunda. Ela realmente não tinha forças para resistir ou discutir. Antes que pudesse reagir, ela sentiu-se jogada na cama. Seus olhos acompanharam os movimentos de Heitor, que começou a soltar o nó da gravata com seus dedos longos e ágeis. Ele lançou a gravata no criado-mudo com naturalidade, como se já fosse dono do espaço e de tudo que estava ali.
Logo em seguida, Heitor se lançou sobre ela.
Patrícia estava exausta, sem energia para empurrá-lo ou protestar.
Heitor, com sua mão forte e ao mesmo tempo delicada, afastou os fios de cabelo que caíam sobre o ombro dela, revelando o pescoço e o rosto que ele tanto desejava. Depois, ele segurou o queixo dela com firmeza, mas sem machucá-la, levantando suavemente o rosto dela em direção ao dele.
Ele se aproximou devagar, com os olhos fixos nela, como um predador que observa sua presa antes de atacá-la.
Patrícia soltou uma risada amarga e disse:
— Hoje você está mesmo investindo pesado, não é? Para me convencer a ir para a cama com você, apagou o contato da mãe do seu filho. Aposto que, depois que terminarmos, você vai adicioná-la de volta.
Heitor aproximou-se ainda mais, até que seus lábios quase tocassem os dela, e respondeu com a voz baixa e carregada de irritação:
— Você realmente sabe como me irritar. Eu te avisei para não falar sobre isso, mas você insiste. Disse para não contar aos seus amigos e familiares, mas você contou para todos. Se a única coisa que sai da sua boca são essas palavras inúteis, talvez sua boca nem precise mais se abrir.
Assim que terminou de falar, Heitor tomou os lábios dela com um beijo intenso e possessivo, sem dar espaço para qualquer resposta.
Patrícia sentiu um calafrio de medo. Ela estava completamente sem forças para resistir, e uma ideia aterrorizante passou por sua mente: ele queria que ela engravidasse.
As palavras de sua mãe ecoaram em sua cabeça, lembrando-a de que, enquanto não tivesse filhos, ela teria a liberdade de se divorciar, de recomeçar sua vida, de perseguir seus sonhos e carreira. Mas, desde o momento em que ela mencionou o divórcio, Heitor vinha insistindo obsessivamente em ter um filho.
"Ele só quer me prender." Pensou Patrícia, sentindo uma tristeza profunda.
Mesmo sabendo que estava prestes a cair em uma armadilha, ela sentia que não conseguia evitar. Ela desprezava a si mesma por isso.
Heitor continuou tirando lentamente as roupas que estavam no caminho. Quando finalmente parou para olhar para ela, ele ficou sem fôlego. O corpo de Patrícia era perfeito, sem nenhuma imperfeição. Cada curva parecia ter sido feita sob medida para ele, para ser admirada e desejada apenas por ele.
Ela tinha um corpo que qualquer homem cobiçaria, mas Heitor não permitia sequer imaginar outra pessoa tocando nela. Não, aquele corpo era dele, e apenas dele.
Heitor estava tão quente que parecia uma brasa viva. Ele se aproximou ainda mais, prestes a cruzar a última barreira...

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