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Sem Toque, Um Amor Desperdiçado romance Capítulo 3

O que chamou a atenção de Patrícia foi uma foto de documento incrivelmente atraente na placa de apresentação.

Ela achou o rosto do homem familiar. Foi então que ela se lembrou: Marcelo era um dos melhores amigos de Ademir. Durante o ensino médio, Patrícia encontrava Marcelo frequentemente quando ela ia e voltava da escola.

O escritório de advocacia tinha sido fundado por eles dois, mas Marcelo havia retornado ao Brasil recentemente.

O currículo de Marcelo era impressionante: doutorado em Harvard, vasta experiência em grandes casos internacionais e, até então, um histórico impecável de vitórias. Ele era especialista em disputas de comércio internacional, divisão de bens em divórcios e litígios de heranças e ações societárias.

Enquanto Patrícia ainda processava essas informações, Aurora Vieira, sua cunhada, apareceu no corredor e a viu:

— Patrícia! O que você está fazendo aqui? Entre!

Aurora segurou a mão de Patrícia e a conduziu pelo escritório até a sala de Ademir.

Patrícia não perdeu tempo para explicar sua visita. Ela estava ali para pedir ajuda ao irmão com o processo de divórcio.

— O quê? Por que você quer se divorciar assim, de repente? — Aurora ficou chocada. — Você não era apaixonada por Heitor? Quando vocês se casaram, você me disse que estava muito feliz!

Aurora envolveu os ombros de Patrícia com os braços, olhando para ela com preocupação.

Patrícia desviou o olhar e esboçou um sorriso amargo. Era claro que ela amava Heitor. Todo mundo sabia disso, menos ele. Para Heitor, aquele casamento nunca havia passado de um acordo sem sentimentos.

Patrícia respirou fundo e contou a Aurora tudo o que havia acontecido nos últimos dias, cada detalhe da dor que estava carregando.

Aurora explodiu de indignação:

— Heitor é louco? Casado com uma mulher linda como você há só três anos e já ele está com outra? Que cara mais sem vergonha!

Aurora virou-se para Ademir e gritou:

— Meu amor! A Patrícia está casada com um homem desses! Vamos juntos destruir o escritório dele!

Ademir olhou para a esposa e pensou que a gravidez dela definitivamente estava afetando seu raciocínio.

Ademir tinha assumido oficialmente a presidência do Grupo Vieira no último verão. Ele sabia que precisava do apoio de Heitor, cuja influência e os 10% de participação no Grupo Vieira eram fundamentais para manter a estabilidade dele no conselho.

Ademir respirou fundo e encarou a irmã com um olhar sério:

— Patrícia, você realmente pensou bem? Divórcio não é brincadeira. Você sabe o que isso significa, certo?

Patrícia o encarou com firmeza e respondeu:

— Irmão, eu já decidi. Não posso ceder mais. Eles têm um filho fora do casamento!

Ademir franziu a testa e respondeu:

— Se Heitor realmente fez isso, eu vou apoiar você. Mas você precisa manter a calma. É essencial reunir provas e avaliar a situação financeira dele. O Grupo Mendes expandiu suas operações para o exterior, e grande parte do patrimônio dele pode estar fora do país. Dividir isso não será fácil.

Patrícia perguntou, com um tom decidido:

— E se eu contratar o Dr. Marcelo para cuidar do meu caso? Mesmo assim será difícil?

Ademir hesitou. Sua intenção inicial era adiar o divórcio da irmã por um ou dois anos, até consolidar o controle total dele sobre o Grupo Vieira. No entanto, Patrícia havia descoberto a traição de Heitor e o fato de ele ter um filho ilegítimo.

Aurora, empolgada, bateu palmas:

— Patrícia, para esse tipo de caso, o Marcelo é perfeito! Ele odeia traição. Lá fora, os milionários infiéis o apelidaram de "O Justiceiro do Divórcio". Ele é especialista em lidar com homens e mulheres que não respeitam o casamento. Vou verificar a agenda dele agora mesmo.

Poucos minutos depois, Aurora voltou com um sorriso radiante:

— Patrícia, venha comigo! O Dr. Marcelo disse que pode liberar um horário para o seu caso.

Patrícia seguiu Aurora até outra sala do escritório.

Dentro do amplo escritório, um homem alto e esguio estava sentado atrás de uma mesa impecavelmente organizada. Ele usava um terno com colete preto e uma gravata azul-escura. Sua silhueta era proporcional, com ombros largos e cintura fina. Ele usava óculos sem armação, que destacavam seu nariz bem definido e seu rosto de traços marcantes.

Apesar das feições firmes, seus olhos transmitiram uma calma natural, acompanhada por uma elegância discreta. Ele segurava uma caneta com leveza, exalando sofisticação.

— Vocês têm filhos? — Perguntou Marcelo.

— Não.

— Três anos de casamento e ainda não tiveram filhos?

— Hum. — Respondeu Patrícia, com um aceno leve de cabeça.

Depois de responder, Patrícia recordou que, nos últimos anos, os familiares dos Vieira, especialmente os mais velhos, haviam sugerido direta e indiretamente que ela e Heitor deveriam ter um filho, independentemente do sexo. Isso tinha ficado ainda mais evidente depois que seu irmão Ademir se tornou pai.

Patrícia sempre atribuiu a demora para ter filhos à dedicação à carreira do Heitor, que a impedia de se concentrar na maternidade. No entanto, agora ela acreditava que o verdadeiro motivo era outro: Heitor nunca quis ter um filho com ela.

Marcelo continuou:

— Como era o relacionamento de vocês? Não tinham uma vida sexual ativa?

Patrícia sentiu um misto de vergonha e constrangimento:

— Isso tem muito a ver com o pedido de divórcio?

— Tem. A ausência de vida sexual pode ser uma prova importante de que o vínculo conjugal está rompido.

Patrícia sempre se considerou uma mulher confiante e nada tímida. Porém, ser questionada sobre um assunto tão íntimo, especialmente por alguém que ela mal conhecia, a deixou desconfortável.

— Duas vezes. — Disse Patrícia, apertando os dedos das mãos enquanto seus olhos começavam a ficar vermelhos de vergonha.

— Duas vezes por semana? — Perguntou Marcelo, levantando uma sobrancelha.

— Não. Em três anos, duas vezes. — Respondeu Patrícia, com os dedos quase cravando na própria pele de tanta tensão.

O olhar de Marcelo, antes calmo, subitamente revelou uma leve surpresa. Duas vezes em três anos? Nem mesmo um encontro íntimo por ano? Isso realmente poderia ser considerado uma vida conjugal?

— Uma frequência tão baixa assim. — Marcelo questionou. — Vocês tinham problemas de incompatibilidade na vida sexual?

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