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Sem Toque, Um Amor Desperdiçado romance Capítulo 4

Quando Marcelo perguntou se a vida sexual de Patrícia e Heitor tinha algum problema, ela ficou claramente atônita. Seus belos olhos, sempre serenos, piscaram levemente, cheios de confusão.

— O quê...? — Murmurou Patrícia, sem saber como responder.

Marcelo sabia que ela tinha entendido a pergunta, mas não a repetiu. Em vez disso, ele mudou de assunto e perguntou:

— Você tem provas da traição dele?

— Tenho.

Patrícia pegou o celular na bolsa e procurou uma foto.

Na imagem, Heitor segurava nos braços uma mulher magra, enquanto carregava o par de saltos altos dela na outra mão. Ele a conduzia em direção a um corredor.

Patrícia olhou para a foto novamente. Mesmo já tendo visto aquilo antes, ela não conseguiu conter a dor. Suas longas pestanas baixaram lentamente, e as lágrimas começaram a cair, uma a uma.

Marcelo, observando a foto, pareceu surpreso:

— Então é ela?

Patrícia levantou os olhos, confusa:

— Você a conhece?

Marcelo assentiu:

— O nome dela é Tábata Vieira. Ela foi namorada do seu marido anos atrás. Eu a vi em uma reunião de família há alguns anos. Lembro dela porque ela se parece muito com você, e isso chamou minha atenção.

"Então é isso, a primeira namorada do Heitor voltou ao país. Depois que me casei com ele, talvez eles dois nunca tenham realmente cortado contato. E agora, Tábata está grávida. Será que ela voltou para me pressionar a abrir mão do posto de Sra. Mendes?"

A mente de Patrícia começou a montar o quebra-cabeça das coisas que ela não sabia.

Marcelo, porém, interrompeu seus pensamentos com um comentário inesperado:

— Patrícia, seria bom você perguntar aos seus familiares mais velhos se há alguma parente sua chamada Tábata.

Patrícia ficou ainda mais confusa. Ela nunca tinha ouvido falar de uma Tábata na família Vieira, nem conhecia aquela mulher.

"Mas... como assim Tábata também se chama Vieira? Isso é só uma coincidência?"

Marcelo apontou para ela, com um olhar sério e expressou sua dúvida:

— É raro duas pessoas sem nenhuma relação de sangue serem tão parecidas assim.

Patrícia sentiu um frio na espinha. Algo dentro dela dizia que havia uma conexão entre ela e Tábata, e ela precisava descobrir o que era.

Marcelo mudou o rumo da conversa novamente:

— Além dessa foto, você tem outras provas?

As palavras de Marcelo fizeram Patrícia sair de seus pensamentos.

— Por enquanto, só isso. — Respondeu ela.

— Sinto muito, mas isso não é uma prova válida. Primeiro, é um local privado. Segundo, eles não estão demonstrando nenhuma intimidade evidente, como um beijo.

Marcelo foi direto:

— Até mesmo para um divórcio, essa foto seria insuficiente. E, sem provas robustas, você não conseguirá alegar traição nem exigir uma divisão de bens favorável.

Patrícia apertou os lábios, frustrada. De repente, algo lhe veio à mente.

— Ah, é mesmo, essa piranha está grávida!

Seu ódio por aquela mulher já era tão grande que a impedia de manter qualquer resquício de decoro, trocando o nome Tábata por "piranha" sem a menor hesitação.

Marcelo levantou levemente os olhos, intrigado:

— Você tem provas disso?

Patrícia mordeu o lábio e balançou a cabeça.

Marcelo explicou com paciência:

— Apenas ela estar grávida não é suficiente para comprovar traição. O que importa é a data da concepção e se ela ocorreu enquanto vocês ainda estavam casados. Além disso, o mais importante seria um teste de paternidade confirmando que o filho é do Heitor.

Patrícia entendeu, mas aquilo a deixou ainda mais irritada. Ela não podia esperar até que Tábata desse à luz para fazer um teste de DNA. Ela precisava que o divórcio fosse resolvido o quanto antes.

— E se eu não quiser dividir os bens? — Perguntou Patrícia.

Mas, naquele momento, ele fez algo inesperado. Em vez de pegar o cartão, ele desbloqueou o celular e abriu o WhatsApp:

— Se precisar de ajuda, pode me procurar a qualquer momento. Não se preocupe em incomodar.

Patrícia escaneou o QR Code do WhatsApp de Marcelo e adicionou o contato. Enquanto isso, ela agradeceu novamente e esboçou um pequeno sorriso.

Nesse momento, eles ouviram batidas na porta. Era Aurora, que entrou com um sorriso animado:

— Dr. Marcelo, Patrícia, que tal almoçarmos juntos?

Aurora pensava que, diante de uma situação tão desagradável como essa, o melhor que ela podia fazer como a boa amiga e cunhada de Patrícia era levar a amiga para comer algo delicioso com Ademir. Afinal, nada como uma boa refeição para espantar o mau humor.

Além disso, Marcelo havia acabado de voltar ao Brasil, e seria uma boa oportunidade para todos se reunirem.

Patrícia não viu motivo para recusar.

Ademir dirigiu o carro, enquanto Aurora estava no banco do passageiro. Patrícia e Marcelo estavam no banco de trás. Eles foram até um refinado restaurante de frutos do mar.

Durante a refeição, Aurora, em uma tentativa de consolar Patrícia, começou a descascar os caranguejos para ela.

Quando todos já estavam satisfeitos, Ademir foi até o caixa para pagar a conta, e Aurora saiu para ir ao banheiro.

Do outro lado do salão, uma jovem usando um vestido branco delicado tirou o celular da bolsa e começou a fotografar os pratos da mesa. Na foto, capturou Patrícia e Marcelo sentados juntos à mesa. Ao lado de Patrícia, havia um prato com carne de caranguejo já descascada.

A foto foi enviada imediatamente para Heitor.

Tábata:

[Heitor, esse restaurante de frutos do mar é maravilhoso! Mas não tem ninguém para me ajudar a descascar os caranguejos. Minhas mãos já estão todas machucadas. Se você estivesse aqui, eu comeria o que você descascasse para mim.]

Heitor, ao ouvir o som de notificação, pegou o celular e abriu a mensagem. Quando seus olhos pousaram na foto, seu rosto congelou.

Ele ficou imóvel, perdido em seus pensamentos.

Heitor ampliou a imagem. No canto da foto, ele viu a mão de Marcelo, que acabava de tirar uma luva descartável.

De repente, Heitor sentiu uma sensação estranha e desconfortável no peito. Sua respiração ficou pesada e, em seus olhos, uma chama de raiva começou a crescer.

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