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Sem Toque, Um Amor Desperdiçado romance Capítulo 36

Heitor, ao mesmo tempo em que se recusava a se divorciar de Patrícia para não dividir os bens, também ele mantinha Tábata presa em uma relação sem dar a ela nenhum status oficial. Que cara mais desprezível!

Patrícia pensava consigo mesma:

“Como eu pude ser tão cega? Amar um lixo de homem como ele por três anos inteiros?”

Ela já havia acreditado que era uma mulher de sorte. Pensava que uma convivência respeitosa e pacífica era tudo o que uma boa união precisava. Ela achava que Heitor estava dedicado ao trabalho para o bem da família. Ela imaginava que as viagens dele ao exterior eram apenas sacrifícios em nome do futuro deles.

Mas tudo isso não passava de ilusões.

— Eu não estou segurando Tábata. Já deixei bem claro para ela que ser Sra. Mendes é algo impossível. — Heitor disse, enquanto seus dedos deslizavam pelos cabelos de Patrícia. — E então? Já pensou na sua resposta, Sra. Mendes?

— Sr. Heitor, o senhor já sabe a resposta. Por que você insiste nesse teatro ridículo e quer que eu diga alto e claro? — Patrícia respondeu friamente.

Ela sabia que não havia como sair daquele casamento agora. Essa era a realidade.

Naquele momento, Patrícia também percebeu que ceder era a única opção, pelo menos por enquanto. Não queria que Heitor continuasse incomodando Vanessa, nem que Ademir ficasse preocupado com a possibilidade de não receber o apoio necessário para se firmar no Grupo Vieira. Assim, por ora, ela teria que seguir o jogo dele e voltar para casa.

— Assim que se fala. — Heitor disse, satisfeito. Ele colocou a mão no ombro dela e completou com um tom animado. — Vamos, Sra. Mendes. Pegue suas coisas, estamos indo para casa.

Heitor parecia de ótimo humor. Sua voz transparecia uma leve alegria. Mas Patrícia sentia exatamente o oposto. Internamente, ela estava afundada em um mar de tristeza.

Sem demonstrar muito, Patrícia deu um pequeno passo para trás, afastando-se de Heitor. No entanto, em sua mente, já começava a traçar um plano:

“Usaria a proximidade com ele para juntar provas de sua traição e, finalmente, conseguiria o divórcio.”

Ademir, ao observar a relutância da irmã, sentiu um peso na consciência.

Vanessa, percebendo a situação, disse:

— Patrícia, os problemas do seu irmão são dele. O sucesso não acontece da noite para o dia. Ele precisa enfrentar os próprios desafios. Se você não quiser voltar com Heitor, basta me dizer. Eu estarei aqui para te ajudar.

Com uma expressão doce, Vanessa continuou:

— Patrícia, a família Vieira sempre será sua casa. Eu posso cuidar de você para sempre, se for necessário.

Patrícia sorriu levemente e respondeu:

— Obrigada, mãe. O papai não está bem ultimamente. Acho melhor eu não dar mais motivos para ele se preocupar. Algumas coisas, eu preciso enfrentar sozinha. Eu vou cuidar de mim.

Sem perder tempo, Heitor segurou a mão de Patrícia, mas não de forma carinhosa. Ele a prendeu firmemente, envolvendo o polegar e o indicador dela com sua mão, como se estivesse trancando seus movimentos. Não havia como ela se soltar.

Quando eles entraram no carro, Heitor imediatamente segurou a mão dela de novo.

— Se concentre em dirigir! — Patrícia disse, tentando puxar a mão.

— Não se preocupe, eu dirijo com uma mão só. — Heitor respondeu, sem a menor intenção de soltá-la.

Ele continuou dirigindo tranquilamente, segurando a mão dela o tempo todo.

— Dirija com cuidado. Eu já disse que vou voltar para casa com você. — Patrícia tentou convencê-lo.

Finalmente, Heitor soltou a mão dela. Mas, não se passou nem um minuto antes de ele parar bruscamente o carro no acostamento. O som dos freios ecoou de forma estridente.

— Para quem você está mandando mensagem? — Heitor perguntou, com os olhos fixos no celular que Patrícia segurava.

A tensão dentro do carro aumentou instantaneamente. O ar parecia mais pesado.

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