Patrícia escondeu o celular, afastando-o um pouco.
— Concentre-se em dirigir. Não precisa se preocupar comigo. — Ela disse, com a voz firme.
Heitor não tentou pegar o celular dela desta vez. Ele havia prometido que nunca mais faria isso. Mas, observando o jeito de Patrícia, ele sabia. Não tinha dúvida: Patrícia estava trocando mensagens com outro homem.
— Você está mandando mensagens para o Marcelo, não está? Como você quer que eu me concentre em dirigir assim? Eu também sou humano, tenho sentimentos! Não consigo te perdoar tantas vezes! — Heitor explodiu, a voz carregada de raiva.
Patrícia olhou para ele com frieza e respondeu:
— As mesmas palavras eu devolvo para você.
Heitor respirou fundo, tentando se acalmar:
— Me mostra o seu celular. Se você não estiver falando com o Marcelo, eu te peço desculpas agora mesmo.
Patrícia foi direta:
— Não vou mostrar.
Ela não poderia mostrar, porque, de fato, estava trocando mensagens com Marcelo. As mensagens eram:
[Se no testamento os filhos ilegítimos não estão incluídos, filhos ilegítimos estrangeiros ainda podem reivindicar a herança?]
[Que tipo de material pode ser usado como prova de traição?]
Embora seu irmão pudesse responder a essas perguntas, Marcelo tinha mais experiência com casos internacionais e entendia melhor a situação jurídica do casamento dela.
Ela sabia que não podia deixar Heitor ver o celular dela.
Ao ouvir a recusa, Heitor fechou os olhos por um momento, lutando para controlar as emoções. De repente, ele perguntou:
— Por que você sempre age assim? Por que não podemos voltar a ser como antes?
— Não tem volta. — Patrícia respondeu com firmeza.
Desde que ela descobrira a existência de Tábata, como poderia fingir que nada havia acontecido? Como poderia voltar a ser a mulher iludida de antes?
Depois de fechar o cofre, ela foi até a biblioteca. Sobre a mesa, estavam organizadas as ferramentas de escultura e lapidação de joias que ela queria comprar. Também havia uma lâmpada específica para trabalhos detalhados.
Heitor havia preparado tudo para ela, antecipando seus desejos. Ele sabia que ela queria fazer suas próprias joias e cuidou para que tivesse tudo o que precisava.
Mesmo assim, Patrícia não se sentou para experimentar as ferramentas. Ela só queria descansar. Sentia-se exausta, não apenas fisicamente, mas mentalmente. As noites mal dormidas, repletas de pesadelos, e os pensamentos sombrios que a acompanhavam a todo momento estavam cobrando seu preço.
Depois de tomar banho e se preparar para dormir, Patrícia voltou para o quarto.
Heitor estava sentado na cama, com o celular na mão. Quando a viu entrar, ele colocou o celular de lado.
— Está fuçando no meu celular? — Patrícia perguntou, sem surpresa. Ela já esperava por isso e havia tomado as devidas precauções. Todas as informações importantes sobre sua família tinham sido apagadas. Se Heitor compartilhasse qualquer segredo com Tábata, isso poderia ser desastroso.
— Você está tentando encontrar provas para pedir o divórcio? — Ele perguntou diretamente.
Patrícia havia deixado algumas mensagens trocadas no celular, propositalmente. Se não houvesse nada, Heitor certamente desconfiaria que ela havia excluído tudo.
A primeira pergunta ele já sabia a resposta, mas a segunda ainda pairava no ar.

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