*Plaf*.
Henrique bateu os talheres com força na mesa: — Ousa tentar fugir e verá o que acontece.
Ele pronunciou essas palavras com uma postura de que, se Mariana tentasse, só sairia dali deitada.
Mariana encolheu o pescoço: — Só falei por falar... Então compre minha passagem.
Não podendo vencê-lo na força ou na lábia, restou a ela apenas a resistência silenciosa.
Henrique ligou para Luiz Moreira, instruindo-o a comprar uma passagem para a Capital no dia seguinte.
Desde o acidente com Daniela Vieira, Mariana ainda não tinha ido visitá-la. Era justo que ela voltasse alguns dias antes para cuidar da mãe.
Mariana estufou o peito e protestou mais uma vez: — Pelo menos me deixe ficar com meu sobrinho mais uns dias.
— Ele não precisa da sua companhia. — respondeu Henrique de forma incontestável.
A aura dele esmagava Mariana. Os dois idosos da Família Ramos estavam irritados, mas não ousavam dizer nada. Embora tivessem pena da neta, não podiam controlar Henrique.
A única pessoa capaz de controlá-lo...
Os olhares de várias pessoas focaram em Sabrina ao mesmo tempo.
Sabrina pigarreou, mas também não tomou o partido de Mariana: — A perna da Presidente Vieira se machucou, de fato você deveria voltar para ver como ela está.
— Eu sei, mas já não está quase boa? Além disso, meu pai também está em casa.
Após se ferir, Daniela Vieira não avisou Mariana de imediato, pois não queria preocupá-la.
Quando avisou Mariana, já havia recebido alta.
Na época, Mariana teve um compromisso e não pôde voltar.
Mais tarde, quando quis voltar, Daniela insistiu para que não voltasse e focasse no trabalho.
Às vezes, Mariana pensava no assunto e também sentia que, como filha, não estava sendo devotada o suficiente.
Mas ela conhecia o gênio de Daniela Vieira. Se contrariasse a vontade da mãe e voltasse em segredo, com certeza levaria uma bronca.
— Tudo bem, vamos comer.
A Velha Senhora Ramos olhou para Mariana.
Desde pequena, Daniela Vieira nunca demonstrou muito carinho por Mariana. Em vez disso, mimava Vanessa Fernandes, que não era filha de sangue, como se fosse o tesouro da casa.
— Sabrina, você me deu um susto.
— Trouxe umas frutas para você.
Sabrina entrou com o prato de frutas: — Medo de quê? Mesmo que fosse o seu irmão, ele não te comeria.
— Meu irmão passou dos limites. Ele só pensa nele e não se importa com os outros.
Mariana reclamou: — Ele veio para a Cidade S passear com você e não quer nem saber do trabalho na Capital. E ainda trouxe o vovô e a vovó. Em pleno Ano Novo, ele deixou só meu pai e minha mãe na Capital, que absurdo é esse?
Realmente, qualquer uma dessas coisas parecia um absurdo!
Mas aquele era o Henrique, ninguém conseguia mandar nele.
— É um absurdo mesmo. Quando eu tiver a chance, desconto nele por você. Primeiro, volte para a Capital, veja seus pais e trabalhe por um tempo. Pensaremos em algo depois.
Sabrina consolou Mariana, e a irritação da garota foi diminuindo gradativamente.
Na manhã seguinte, Henrique arranjou um motorista para levar Mariana ao aeroporto.
O voo de Mariana era às 9 da manhã, e ela deveria chegar à Capital por volta do meio-dia.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor Ramos, ele não é seu filho!