Espera aí... Se Henrique havia alterado aquele acordo, ela não deveria ter ficado com raiva?
Ela estava com raiva porque Henrique o tinha alterado. Como a conversa foi parar no quanto ela o amava?
Sabrina desfez a confusão, levantou-se e foi atrás de Henrique.
Assim que abriu a porta, viu Henrique saindo do quarto com Noriel no colo.
O pequeno não acordou de mau humor. Acabara de acordar e erguia os bracinhos, sorrindo alegremente para ela, mostrando alguns dentinhos.
Em contraste, Henrique parecia não ter dormido bem a noite toda. O rosto de traços delineados estava triste.
Estava pior do que quando ele virava a noite trabalhando.
Isso, com certeza, fora provocado pelo humor.
As palavras de acusação de Sabrina ficaram entaladas na garganta.
— Você está bem? — ela perguntou, preocupada por instinto.
Henrique assentiu. — Estou bem. Pode guardar aquele acordo, ele vale para sempre. Eu vou descer com ele agora.
As palavras dele giravam em torno daquele acordo e batiam forte no coração de Sabrina.
O coração de Sabrina se enrolou. Sentiu que deveria questioná-lo, mas também que lhe devia desculpas.
Ela assentiu de forma automática, observou Henrique descendo com Noriel e, em seguida, voltou para o quarto para se acalmar.
Nos dias que se seguiram, a convivência entre eles foi terrivelmente pacífica.
Henrique estava sempre olhando para Sabrina com ressentimento, como se ela tivesse feito algo ruim contra ele.
E ele não escondia que estava tentando virar o jogo contra ela.
—
A noite caiu, o lustre da mansão dos Couto foi apagado e tudo foi envolvido pela escuridão.
Carlitos quis dormir com Lucas naquela noite. Oceana não ficou tão tranquila e acompanhou os dois no quarto de Lucas. Só subiu quando eles adormeceram.
Ela foi no escuro para o seu quarto no terceiro andar, abriu a porta e foi para a cama iluminada pela lua.
Antes mesmo de conseguir tirar os sapatos para subir na cama, foi puxada por uma força.
Naquela noite, ele foi selvagem demais. Dois dias depois, Oceana ainda sentia dor e precisou ir até o hospital para pegar remédios.
Fernando havia ido junto. Não porque ela precisava de companhia, mas porque sentia vergonha de falar com alguém e não sabia para qual setor ir. Ela pediu para que Fernando usasse seus contatos para encontrar um médico conhecido.
Fernando já havia trabalhado naquele hospital por uns dias. Aquele médico o conhecia e zombou dele:
— Como o Doutor Moraes não sabe ser carinhoso com uma florzinha?
— Eu não tive escolha. Estou solteiro há quase trinta anos.
Fernando disse aquelas coisas que fizeram Oceana corar, sem nem piscar.
Se Oceana soubesse que ele explicaria daquela forma para os colegas, nunca o teria pedido para usar seus contatos.
— Tem casamento vindo aí? — o médico perguntou sorrindo. — Quando vocês vão celebrar?
Fernando hesitou antes de dizer: — Depende dela.
Pelo jeito sério dele, parecia que ele e Oceana estavam apaixonados e que o casamento já era certo.

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