— Eu vou com você, deixe que a Julia e a avó cuidem do Noriel.
Henrique Ramos virou-se e voltou para o quarto para trocar de roupa. Ele foi rápido e saiu dois minutos depois.
Dois botões da camisa branca estavam desabotoados, e aquele visual desarrumado deixava ele com um charme irresistível.
Após descerem, ele entregou Noriel à Velha Senhora Ramos e saiu de carro com Sabrina Batista, indo direto para o hospital.
Naquele momento, às quatro e meia da tarde, o sol poente espalhava-se pelos arranha-céus, refletindo raios dourados e brilhantes.
O Maybach parou na porta do hospital, atraindo os olhares de muitas pessoas.
Sabrina desceu do carro. Quando estava prestes a ligar para perguntar em qual quarto Carlitos estava, ouviu uma voz vindo de trás.
— Irmã Sabrina.
Ela se virou e viu Lucas Couto vestido com o uniforme escolar, carregando uma mochila preta e caminhando rapidamente em sua direção.
Atrás de Lucas, estava o Casal Couto. Marcel Couto segurava uma garrafa térmica nas mãos, parecendo estar ali para entregar comida.
— Tio Marcel, tia Elisa, Lucas.
Sabrina deu dois passos na direção deles. — Eu vim ver o Carlitos.
Elisa Sousa suspirou. — Fizemos você se preocupar também. Vamos subir juntos.
Marcel e Henrique acenaram com a cabeça. Ele achou que isso contava como um cumprimento.
Quem diria que, ao acenar, Henrique diria: — Tio Marcel, tia Elisa.
— Ah! — Marcel respondeu rapidamente e, em seguida, piscou para Lucas. — Lucas, cumprimente-o.
Lucas olhou para Henrique, hesitou por alguns segundos e disse: — Olá, tio.
Henrique: — ...
Se ele não se lembrava mal, Lucas tinha acabado de chamar Sabrina de "irmã".
E com ele, virou "tio".
Será que o menino era muito educado, ou será que eu já estou velho demais?
O tom de Sabrina não escondia a repreensão. — Até quando planejava esconder isso de mim? Ainda me considera da família?
Oceana disse depressa: — Claro que sim. Eu só fiquei com medo de você se preocupar. E você ainda tem o Noriel, já é muito ocupada. Não precisa se preocupar com o Carlitos.
— Vou acertar essas contas com você depois.
Sabrina olhou para ela, a contornou e caminhou até o lado da cama.
Carlitos tinha passado o dia dormindo intermitentemente. Agora, seu estado parecia bem melhor, embora seu rosto ainda estivesse um pouco amarelado.
A cabeça dele estava envolta em gaze grossa. Era possível sentir um leve cheiro de sangue. O coração de Sabrina apertou ao ver aquilo.
— O ferimento do Carlitos é grave? Quantos dias ele vai ficar internado?
Ao mencionar os ferimentos de Carlitos, a garganta de Oceana embargou. Ela fez um bico para Sabrina e não conseguiu falar.
Elisa arrumou o jantar sobre a mesa. — Ele precisa ficar internado em observação por dois dias. O corte foi bem profundo e perdeu muito sangue. Ontem, Fernando Moraes até fez uma transfusão nele, e hoje apareceram essas erupções. Felizmente, ele só está sofrendo um pouco, sem risco de vida.
Dizendo isso, ao ver que os olhos de Oceana ficaram vermelhos novamente, ela largou a louça, puxou um papel e limpou as lágrimas de Oceana.

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