Depois, ele passou a querer vê-la de perto e trocar algumas palavras.
Aí, quis abraçá-la.
Tendo a companhia dela por um dia, passou a querer dois. Na verdade, ele queria que ela ficasse ao seu lado para sempre.
O ser humano é assim, insaciável.
No terceiro dia, Rebeca Ribeiro acordou de novo na cama do hospital.
Mas dessa vez, ela já nem ligou.
Levantou-se tranquilamente e foi até o banheiro se arrumar.
Quando saiu, o médico estava trocando o curativo de Samuel Batista.
Ao ver que os pontos do braço haviam rompido outra vez, o médico franziu a testa, aborrecido.
— Por que esse corte não para de abrir? Se continuar rasgando assim, vai inflamar com certeza.
Samuel ficou calado, apenas escutando a bronca em silêncio.
Quando o médico saiu, Rebeca caminhou até ele, cobrando respostas:
— Você rasgou os pontos de novo para me colocar na cama?
— Não. — Ele negou na mesma hora. — Fiz um movimento brusco e abriu sozinho. Não teve nada a ver com você.
— E você acha que eu acredito nessa desculpa esfarrapada?
Samuel desviou o olhar, mas continuou teimoso:
— É a verdade.
— Olha, você não precisa fazer nada disso. Eu posso muito bem dormir no sofá. Só fiquei para cuidar de você porque te devo um favor. Você sabe que eu odeio ficar em dívida com os outros, e não quero que você faça mais nada por mim. Eu só quero que nós sejamos dois estranhos vivendo em paz.
A voz dela parecia uma adaga macia, mas absurdamente afiada, rasgando sem piedade a parte mais vulnerável do coração de Samuel.
Ele ficou em silêncio por vários segundos antes de falar devagar:
— Você acha que eu faço porque quero?
Rebeca paralisou por um instante.
— Eu não consigo me controlar.
— Eu não consigo ficar parado quando vejo você em perigo. O meu corpo age antes da minha mente.
— Rebeca, eu também queria ser só um estranho vivendo em paz com você.
Ele deu um sorriso carregado de autodepreciação.
— O problema é que eu não consigo.
Talvez por ter escancarado aquela verdade crua, o ar no quarto ficou sufocante.
Rebeca juntou as suas coisas.

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