Quando Rebeca Ribeiro voltou, já passava da hora do jantar.
O cuidador avisou que Samuel Batista não tinha comido nada o dia todo.
Ansiosa, ela sequer jantou e correu de volta para o hospital.
Assim que entrou no quarto, viu Samuel deitado na cama.
Embora estivesse de olhos fechados, a expressão dele era de dar frio na espinha.
Ela não sabia se ele estava dormindo ou só fingindo.
Rebeca estava irritada.
— O que deu em você? — ela perguntou, com a voz dura e o cenho franzido. — Por que não quis comer?
O homem na cama não moveu um músculo.
Rebeca esfregou as têmporas. Ela não tinha a menor ideia de qual era o drama dele agora.
Quem está se recuperando de ferimentos precisa de nutrientes.
Se ele não comer, como vai melhorar?
— Fala logo. Eu sei que você está acordado. — Ela o repreendeu em voz baixa, impaciente.
Finalmente, ele abriu os olhos. O olhar dele estava sombrio.
Sua voz soou como se tivesse sido mergulhada em um balde de gelo.
— Você não precisa cuidar de mim.
Rebeca perdeu a paciência.
— E você acha que eu quero?
— Se você não tivesse se machucado por minha causa, eu jamais estaria aqui!
A temperatura do quarto despencou.
Rebeca percebeu que tinha pegado pesado demais.
No fim das contas, ele ainda era um paciente.
Se o coração dele não aguentasse o choque...
Enquanto ela tentava pensar em como quebrar aquele clima tenso, o seu estômago roncou alto.
O homem, que antes parecia uma estátua de gelo, de repente falou:
— Estou com fome. Quero sopa de macarrão com carne.
Rebeca ficou sem palavras.
Ela ainda estava com raiva...
Mas quer saber? Comer era mais importante.
Ela pegou o celular e abriu o aplicativo, indo direto no restaurante que costumavam pedir antes.
Só depois de finalizar o pedido é que ela se tocou.
Aquele era o prato favorito dela.
O Samuel do passado nunca gostou muito de macarrão.

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