Ela flutuava e afundava, levada pela correnteza.
Samuel segurou a mão dela e a fez apertar a alça de segurança acima da porta do carro.
Sua cabeça roçava levemente no teto do veículo a cada movimento.
Quando o último fogo de artifício da noite explodiu nos céus de Porto Sossego, Rebeca viu um clarão de cores vivas explodir em sua própria mente.
Tudo mergulhou no silêncio assim que o show de luzes terminou.
Com os dedos quentes, Samuel afastou os fios de cabelo grudados de suor no rosto dela.
Ela havia adormecido profundamente, o rosto ainda carregando um rubor que não havia desaparecido.
Abraçado a ela, os olhos de Samuel transbordavam uma ternura infinita.
...
O amanhecer na montanha era calmo, cheio do canto dos pássaros e do perfume das flores.
O suave ruído branco da natureza fez com que Rebeca relutasse em acordar.
No entanto, o corpo dolorido pela posição a fez tentar rolar para o lado.
Sentiu um vazio.
No segundo seguinte, uma mão grande e firme agarrou sua cintura fina e a puxou de volta para aquele abraço quente.
Impedindo-a de cair do banco.
Durante toda a noite, Samuel repetiu esse exato movimento.
Ele não pregou o olho por um segundo sequer.
Não quis dormir, com medo de acordar e descobrir que tudo não passava de um sonho erótico de uma noite de primavera.
E assim, ficou vigiando o sono dela até a manhã chegar.
Suas pernas já estavam formigando a ponto de perderem a sensibilidade, mas ele se recusava a afrouxar o abraço um milímetro que fosse.
Os cílios de Rebeca tremeram, dando sinais de que ela estava prestes a acordar.
Samuel conhecia a resistência dela ao álcool.
Mesmo quando ficava bêbada, ela nunca sofria de amnésia alcoólica. Ela se lembraria de tudo.
Com medo de deixá-la constrangida, ele fechou os olhos rapidamente, fingindo estar dormindo.
Rebeca finalmente despertou. Ficou desnorteada por um bom tempo.
Até perceber que estava dormindo no colo de Samuel. Na mesma hora, sua mente antes enevoada ficou perfeitamente lúcida.
Ela sentou-se num solavanco, encarando o homem que parecia estar no quinto sono, e engoliu em seco, em pânico absoluto.
Ontem à noite...
O que diabos ela tinha feito ontem à noite?!
— Sua boca parece tão boa de beijar.
— E você quer beijar?


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