Hera hesitou e conteve as próprias palavras. Logo depois, contemplou a escuridão da noite pela janela, com um olhar vazio:
— Não quero incomodar a família de vocês. Nos vemos amanhã na empresa.
Norberto a acompanhou até a porta e aconselhou:
— Vá para casa e descanse bem. Se encontrarem qualquer obstáculo com a tecnologia, me procure. Eu posso intervir e ajudar com a coordenação.
A leve preocupação estampada na testa de Hera suavizou-se como se tivesse sido dissipada por uma brisa, dando lugar a um sorriso radiante:
— Claro. Com você ao meu lado, eu não tenho medo de nada.
Norberto balançou a cabeça em concordância:
— Fique tranquila, eu estarei sempre aqui.
Hera entrou no banco de trás do carro e Norberto instruiu Eduardo:
— Leve a Hera de volta para casa e dirija devagar.
Eduardo assentiu e manobrou o veículo para fora do pátio da mansão.
De pé no jardim, Norberto baixou a cabeça para acender um cigarro. Segurou-o e fumou até o fim antes de retornar à sala de estar.
Quando Tereza desceu com a filha para jantar, Norberto já havia se trancado no escritório para trabalhar.
Foi somente após mãe e filha terminarem a refeição que o homem desceu do escritório. No corredor, Norberto analisou a expressão de Tereza, notando a absoluta falta de interesse dela em dirigir-lhe a palavra.
Então, ele se voltou para Delfina e perguntou:
— Meu bem, encheu a barriguinha? Quer comer mais um pouquinho com o papai?
— Não quero, já tô cheia. Se não acredita, pega na minha barriguinha!
Delfina empinou a barriga num instante, fazendo Norberto inclinar-se para dar um toque sutil:
— Hum, está cheia mesmo. Depois que o papai terminar de comer, eu vou te ajudar com o dever de casa.
— Eu não tenho dever! Já terminei tudo. Mas o papai pode assistir desenho comigo se quiser.
Diante daquela menininha tão esperta, Norberto acenou que sim e lançou mais um olhar para Tereza.
Tereza parecia absorta em seus próprios pensamentos e sequer correspondeu ao seu olhar.

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