O quanto ele gostava? Chegava a ser amor?
Hera sempre foi uma mulher muito lúcida, ambiciosa e pragmática. Sabia muito bem que o amor dos homens era como as nuvens no céu, instável e inconstante; precisava ser cultivado com tempo, energia e muita lábia. Bastava um momento de desleixo, e o vento o levaria para longe.
Durante aqueles mais de dez anos, ela havia devotado todas as suas forças, seu tempo, suas artimanhas e toda a sua malícia aos dois irmãos da Família Cardoso. Ela construiu perfeitamente a imagem da garota inocente e frágil. Sabia o momento exato de mostrar fraqueza, a hora certa de ser teimosa e quando precisava se mostrar forte. Tinha o controle absoluto do que se passava na cabeça de cada membro da família, a ponto de acreditar que suas maquinações tinham alcançado a perfeição e que jamais cometeria um erro de cálculo novamente.
Mas a morte repentina de seu marido e a súbita clareza mental de Tereza fizeram com que a sua farsa ficasse por um fio. Agora, aquela máscara havia sido arrancada sem dó, estraçalhando por completo a ilusão de perfeição que ela fingia possuir.
— Tereza, você é realmente detestável. — Hera praguejou mentalmente.
Mas no momento, ela precisava pensar em uma forma de reconquistar o coração de Norberto, usando as mesmas táticas de antes.
A noite estava densa e pesada.
No ambiente à meia-luz do bar, Norberto estava sentado num canto, segurando firmemente um copo de bebida.
Arturo e Caio chegaram juntos. Ao verem Norberto sentado sozinho, com o olhar perdido, parecendo um iceberg mergulhado no silêncio, trocaram olhares.
Eles se olharam novamente, em seguida observaram o homem distraído. Por fim, tiraram os casacos, escolheram duas cadeiras e se sentaram.
— Eu me divorciei.
A voz de Norberto ecoou de repente, carregada de uma depressão incomum.

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