O abraço súbito deixou o corpo de Tereza rígido; seu sangue pareceu congelar num instante.
O que antes fora o seu maior desejo, agora se assemelhava a uma corda incômoda, totalmente dispensável.
— O que você está fazendo, Norberto? — Tereza tentou se desvencilhar duas vezes, mas o homem não fez a menor menção de soltá-la.
— Tereza, me dê uma chance de compensar você, por favor. — Norberto pronunciava cada palavra com profunda sinceridade, repletas de culpa. — Fui um tolo. Se eu soubesse que você me amava, não teria passado esses sete anos afogado em dúvidas constantes, vivendo no automático. Se eu tivesse dado o primeiro passo, não teria feito você sofrer por tantos anos.
Tereza mordeu o lábio inferior e lutou mais uma vez para se afastar:
— O afeto tardio vale menos que capim. Eu não preciso mais.
Se antes Norberto a abraçava com convicção, agora ele sentia como se uma lâmina lhe perfurasse o coração. Os braços cederam, como se uma força invisível o tivesse empurrado.
Ela aproveitou a brecha e escapou rapidamente. Deu alguns tapinhas no próprio braço, como se espantasse cinzas imaginárias.
Para ele, essa pequena ação foi como cair num precipício, inundando-o de vergonha.
Como se ele, de fato, fosse alguma impureza da qual ela precisava se livrar rapidamente.
— Norberto, se chegamos ao ponto onde estamos hoje, é porque deixamos as coisas acontecerem naturalmente. Você nunca me forçou a nada, e eu nunca forçarei você. — Tereza baixou a cabeça, com uma voz clara e decidida.
— A Delfina é a prova cabal do seu amor por mim, não é? — Um vislumbre de dor passou pelos olhos dele. — Por que não quer me dar mais uma chance?


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