O tom de voz de Norberto fez Hera estremecer. Ela mordeu o lábio e implorou:
— Norberto, eu ainda estou grávida e estou com muito frio. Podemos conversar na sala? Você não quer que algo aconteça com este bebê, não é?
Ao ouvir isso, Norberto entendeu imediatamente qual era o trunfo dela para estar ali.
Como ela carregava o filho de seu falecido irmão, tinha a certeza absoluta de que ele se importaria.
Um cálculo tão venenoso, uma manipulação tão profunda. Norberto quase não conseguia acreditar naquilo.
Ele se considerava alguém perspicaz, capaz de enxergar a escuridão da natureza humana e as artimanhas do mundo dos negócios. Contudo, fora incapaz de perceber se o coração de alguém tão próximo a ele era feito de luz ou de trevas.
Esse fora seu maior erro: confiar cegamente nos íntimos.
Com os olhos injetados de raiva, ele a encarava como se estivesse conhecendo a verdadeira Hera pela primeira vez.
Vendo-o encará-la fixamente, Hera presumiu que ele estava, mais uma vez, com pena dela.
Ela espremeu duas lágrimas e disse, fingindo vulnerabilidade:
— Me deixa entrar para me aquecer um pouco, por favor. Estou me sentindo muito mal.
— Eduardo, leve-a daqui. — Norberto não permitiria que ela pisasse em sua sala. Deu a ordem com frieza.
— Norberto... — Hera entrou em pânico. Ela se lançou sobre ele, conseguindo apenas agarrar e apertar o seu braço. — Não me mande embora. Tenho muito medo de ficar sozinha, não quero ir.
— Hera, solte-me. — As células do corpo de Norberto tremiam de fúria. Ele jamais imaginou que chegaria o dia em que o toque de Hera lhe causaria tamanha repulsa.
Mas Hera esfregou o rosto pálido e gelado contra o tecido do casaco dele:

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