A expressão de Hera murchou. Ela abriu a porta do carro e entrou, em silêncio.
Ela sentia-se repleta de artimanhas, mas não tinha mais em quem aplicá-las.
Era uma sensação de absoluta impotência.
Porém, tendo chegado àquele ponto, se ela não fizesse uma cena, temia jamais voltar a ver Norberto pelo resto da vida.
— Eduardo, até você acha que o meu amor por ele é falso? — perguntou Hera, a ansiedade consumindo seu peito, enquanto observava o carro fazer a curva e deixar a mansão para trás.
— Sendo falso ou verdadeiro, a mentira dura um tempo, mas não a vida inteira. Cuide da sua vida, Srta. Lopes. — advertiu Eduardo, em tom sério.
— O meu único defeito é não ter o currículo acadêmico da Tereza, não é? Ou por eu não vir de uma família de intelectuais? Eu não sou menos bonita que ela, e também sou esforçada e prestativa...
— Srta. Lopes, você viu a cerimônia de abertura da Heka há alguns dias? A Dra. Leal já alcançou um patamar altíssimo. Se tentar se comparar a ela, só vai dar um tiro no pé. — Eduardo debochou. Aquele já não era o momento para Hera nutrir pensamentos tão infantis.
Ao ouvir isso, Hera sentiu um nó na garganta.
Ela havia assistido ao vídeo do discurso de Tereza no palco e também notara a forma como Norberto olhava fixamente para ela.
Fora exatamente por ter visto aquilo que ela entrara em pânico e decidira emboscá-lo na porta de casa naquela noite.
Uma pena que os velhos truques já não funcionassem com ele.
Como, então, ela conseguiria quebrar a barreira do coração dele?
Ou será que o coração e os olhos dele só enxergavam Tereza Leal?
Norberto estava trancado no escritório há quase duas horas. Os planos anuais da Heka estavam espalhados sobre a mesa, mas, embora precisasse revisá-los, não conseguia se concentrar em uma única palavra.
A caneta girava entre seus dedos até, por fim, rolar pela mesa.

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