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TARDE DEMAIS PARA IMPLORAR, SENHOR CEO romance Capítulo 7

A bolha de paz que Clara construíra com farinha, argila e o afeto sincero de seus funcionários era um castelo de cartas vulnerável às marés do mundo exterior. O ostracismo era o seu maior aliado, mas os vampiros da alta sociedade — aqueles que se alimentavam de aparências e do sofrimento alheio — sabiam exatamente quando atacar.

O lembrete de que ela ainda pertencia ao tabuleiro vinha sempre da mesma forma: através de uma batida protocolar na porta da cobertura. A assistente pessoal de Arthur entrava no apartamento carregando cabides de grife, caixas de joias monogramadas, bolsas de grife e todos os acessórios milimetricamente selecionados para Clara. Não havia espaço para escolhas. O guarda-roupa de suas aparições públicas era ditado pelo departamento de relações públicas do Grupo Albuquerque. Na imensa maioria dos eventos corporativos de menor escalão, Arthur levava a amante sem a menor discrição, mas havia jantares de gala, posses de conselho e premiações internacionais onde a presença da "esposa legítima" era um requisito legal e imprescindível para a imagem de estabilidade das ações.

Nessas noites, Clara era forçada a vestir a armadura de luxo e a caminhar ao lado de um homem que mal a olhava nos olhos. A humilhação externa era um espetáculo público. Nos salões repletos de espelhos e tapetes vermelhos, Clara precisava suportar os sorrisos falsos das mesmas socialites que, pelas costas, cochichavam sobre o seu fracasso. Ela via os flashes dos fotógrafos registrando o seu casamento de fachada, sabendo que, nos bastidores da internet, todos zombavam da herdeira Mendes que fora trocada antes mesmo de subir ao altar.

A verdadeira tortura, contudo, desabava no dia seguinte a essas aparições ou sempre que as colunas sociais publicavam fotos de Arthur e da amante em jantares privados pelo mundo. Nesses momentos, a paz da cobertura caía por terra de forma violenta.

A primeira ligação era sempre de Beatriz Mendes. A voz da mãe cruzava a linha telefônica como um chicote, sem qualquer vestígio de calor maternal.

Capítulo 7: A Rachadura na Bolha 1

Capítulo 7: A Rachadura na Bolha 2

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