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TARDE DEMAIS PARA IMPLORAR, SENHOR CEO romance Capítulo 3

Os dois meses que antecederam o casamento foram um exercício diário de sufocamento para Clara Mendes. Se antes ela já era invisível em sua própria casa, agora havia se tornado o centro de uma engrenagem exaustiva de preparativos. Estilistas internacionais, decoradores renomados e cerimonialistas de elite cruzavam os salões da mansão Mendes a todo momento, ditando como Clara deveria andar, sorrir e se portar. Ninguém perguntava o que ela queria; ela era apenas o manequim que ostentaria a fusão bilionária entre duas dinastias.

A frieza de Arthur Albuquerque se manifestava através de envelopes timbrados e caixas de veludo que chegavam por meio de sua assistente pessoal. O primeiro presente enviado pelo noivo foi o anel de noivado: um diamante lapidação emerald solitário, impecável e gélido. Semanas depois, chegou o conjunto para o grande dia: uma tiara Cartier de platina e brilhantes, acompanhada por um colar de diamantes clássico. Eram peças monumentais, de um valor astronômico, mas que, ao serem tocadas por Clara, transmitiam apenas o peso do metal frio. Não havia uma linha escrita à mão, nenhum cartão que indicasse que ele havia parado por um segundo para pensar nela.

A verdade por trás daquela generosidade corporativa, no entanto, veio à tona de forma cruel em uma tarde cinzenta. Enquanto descansava em seu quarto, Clara abriu as redes sociais e, por força do hábito e de uma curiosidade masoquista, buscou o perfil público da mulher que o mercado financeiro sabia ser a verdadeira paixão de Arthur.

Ali, nos stories da jovem, reluzia um vídeo comemorativo. A legenda ostentava: "Mimos do meu amor para celebrar nossa resiliência". Na tela, a amante exibia um conjunto idêntico ao de Clara, mas infinitamente superior. O colar tinha três voltas de diamantes raros e lapidação exclusiva, a tiara era cravejada com safiras imperiais que emolduravam o brilho das pedras, e o estojo ainda incluía brincos e uma pulseira que completavam a coleção. O mesmo presente, encomendado na mesma semana, mas o da outra fora escolhido com o coração; o de Clara fora apenas uma obrigação de catálogo liquidada pela secretaria executiva.

Tentando escapar do ar rarefeito da mansão, Clara aceitou o convite de Alice para um chá em um dos bistrôs mais exclusivos da cidade. Mas a elite não dava trégua. Enquanto Alice pedia os pedidos ao garçom, Clara pôde ouvir claramente os sussurros vindos da mesa ao lado, onde três socialites conhecidas de sua mãe compartilhavam risadinhas abafadas sobre as telas dos celulares.

— ...você viu o que a amante postou? O Arthur deu a coleção imperial inteira para ela — dizia uma delas, sem se preocupar em disfarçar o tom de deboche. — E a coitada da Clara Mendes vai subir ao altar achando que ganhou o prêmio principal. É o casamento mais humilhante do ano. Ela é só uma fachada para ele assumir a presidência.

Clara abaixou os olhos, os dedos apertando a xícara de porcelana até os nós dos dedos ficarem brancos. Alice percebeu imediatamente. O olhar da herdeira farmacêutica internacional flamejou de puro ódio na direção da mesa vizinha, e ela se preparou para levantar.

— Eu vou acabar com a graça daquelas cobras agora mesmo — sibilou Alice, a postura rígida de quem tinha poder suficiente para falir as famílias daquelas mulheres antes do anoitecer.

— Não, Alice, por favor — Clara pediu, segurando o pulso da amiga com uma súplica silenciosa. — Deixa para lá. Elas... elas só estão dizendo a verdade que todo mundo já sabe. Eu sou só a fachada.

Ao voltar para casa com a alma em frangalhos, o único consolo de Clara foi o quarto de serviço nos fundos da casa da tia-avó Leonor. A velha senhora, sentada em sua poltrona com aroma de alfazema, acolheu a sobrinha-neta nos braços assim que ela desabou em lágrimas silenciosas. Leonor acariciou os longos cabelos castanhos de Clara, depositando um beijo terno em sua testa.

Capítulo 3: A Joia Inútil e o Altar de Gelo 1

Capítulo 3: A Joia Inútil e o Altar de Gelo 2

Capítulo 3: A Joia Inútil e o Altar de Gelo 3

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