Mas ele demorou a atender, e no fim, a ligação caiu automaticamente.
Renata fitava a tela, sentindo um frio extremo no coração. Inconformada, discou novamente.
O resultado foi o mesmo.
Com os lábios pálidos e apertados, as mãos de Renata agarraram ainda mais o celular.
Ela já deveria ter percebido: Wilson não dava o mínimo valor a ela!
Antes de conquistá-la, ela mandava uma mensagem e ele respondia em segundos.
Depois de tê-la, ela ligava e ele a ignorava completamente.
Ela tinha certeza de que, dali a alguns dias, quando ele conseguisse seu corpo e satisfizesse seus instintos masculinos, a trataria com ainda mais frieza.
Assim como no passado!
O coração de Renata gelou, e a mão que segurava o celular tremia de raiva. No entanto, naquele momento, ela não se permitiria apenas ficar triste. Aquela conta não ficaria impune!
Guardou o celular, acenou para um táxi na rua e retornou à vila em Baía Serena.
...
Baía Serena.
A Dona Josefa estava na sala alimentando os gatinhos com leite em pó. Eles comiam felizes, tão satisfeitos que não paravam de se espreguiçar em deleite.
A Dona Josefa sentiu o coração derreter de ternura.
De repente, ouviu a porta abrir. Ela sobressaltou-se e virou a cabeça. Ao ver que era Renata quem voltava, indagou surpresa:
— Senhorita Rocha, a senhora não disse que não viria ao meio-dia e que iria encontrar o Sr. Wilson na empresa?
De fato, ao sair pela manhã, Renata tinha pensado a respeito e decidiu que não queria decepcioná-lo. Por isso, pediu a Dona Josefa que não a esperasse para almoçar. Planejava ir à empresa procurá-lo após a reunião com a Diretora Cardoso, para almoçarem juntos, e à noite saírem para jantar e comemorar.
Ela tentou agradá-lo de todas as formas.
Agora, pensando bem, fora de uma estupidez sem tamanho.
Agradecia por não ter ido à empresa, caso contrário, além de passar vergonha, ainda teria de aturar o humor dele!
Renata mordeu o lábio inferior, tentando não se enfurecer ainda mais. Começou a subir as escadas e instruiu em voz baixa:
— Dona Josefa, quando o Wilson chegar, diga a ele para ir me procurar no quarto.
Ela desviou o olhar abruptamente, incapaz de encarar a cena por mais um instante, e caminhou em direção à janela de vidro do chão ao teto. Ao mesmo tempo, pegou o celular e ligou novamente para ele.
De repente,
do corredor, veio o som fraco de um celular tocando.
Renata paralisou por um instante, achando que estava com zumbido nos ouvidos e que havia se confundido.
Mas o som de chamada continuou vindo do corredor.
Ela não tinha escutado errado!
Renata olhou para o próprio celular em sua mão, que também indicava estar chamando, franziu a testa e saiu, desconfiada, para investigar.
De pé à porta,
ela olhou para os lados e identificou que o som vinha do escritório. Uma leve pulsação em sua testa denunciou a inquietação crescente.
Com as mãos agarradas com firmeza ao aparelho, ela se aproximou, apreensiva, e abriu a porta do escritório.
Até aquele momento, ela nunca havia entrado no escritório de Wilson.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Três Anos de Mentira, Três Dias para Partir
Acho q uma história dessa merecia um final melhor, mais explicado e com mais detalhes!...