Se fosse num dia comum,
Renata obedeceria sem protestar.
Mas, naquele momento,
ela não recuou. Agarrando firmemente os documentos, com os olhos avermelhados de raiva, ela o encarou à distância e soltou uma risada amarga.
— Wilson, você me investigou secretamente, interferiu na minha vida, e não vai nem se explicar?
— Quem te deu o direito de fazer isso?!
Sem mais, atirou os papéis diretamente no peito dele. As finas folhas de papel se dispersaram e caíram esparramadas pelo chão...
Era a primeira vez que alguém ousava agir de forma tão atrevida diante dele.
O temperamento de Wilson não era dos melhores, e sua expressão imediatamente assumiu contornos sombrios.
No entanto, ao bater os olhos casualmente no título garrafal no topo dos documentos, ficou surpreso e franziu o cenho.
Renata apertou os punhos, sua voz enfurecida estrangulada por um soluço.
— Wilson, você é apavorante! Tão falso!
— Você simplesmente não sabe amar!
— Eu vou embora! Vou sumir de perto de gente como você!
— Nunca mais me procure! Você me dá nojo! É repugnante!
— ...
Aquelas palavras soaram como navalhas.
Wilson lançou-lhe um olhar, mantendo-se calado. A expressão dele tornou-se tão densa e impenetrável que não se conseguia decifrá-la.
Com calma irritante, ele se abaixou, recolheu os papéis espalhados no chão, rasgou-os e jogou no lixo.
Feito isso,
ele a encarou novamente e deu um sorriso gélido.
— Eu sou apavorante? Falso? Te dou nojo?
Um frio inexplicável percorreu a espinha de Renata, que não teve coragem de encará-lo nos olhos. Com o rosto descorado, deu dois passos para trás, pronta para ir embora.
— Se não fosse por mim, seu sobrinho teria recebido um tratamento tão bom? Se eu não existisse, o seu cunhado conseguiria ter dinheiro para pagar as dívidas que devia? Ele já estaria morto!
Só faltava ele dizer com todas as letras: "Você estar comigo e me servir é o mínimo para me pagar de volta! Você sequer é digna desse amor que fala."
E como Renata não entenderia?
Ela foi perfurada impiedosamente por aquelas palavras cortantes como lâminas.
De repente, ela parou de se debater, e deixou-se ficar presa nos braços dele, inerte como uma boneca arruinada.
Mas os olhos avermelhados ainda brilhavam com um fiapo de teimosia.
Encarando-o de frente, ela murmurou com a voz rouca e trêmula.
— Então, é isso que você realmente sente, não é?
— Na sua cabeça, eu sou apenas uma mulher inferior, e nunca estarei à sua altura, por isso meu único dever é te servir. É isso?
O olhar de Wilson escureceu.
Mas ele permaneceu em silêncio.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Três Anos de Mentira, Três Dias para Partir
Acho q uma história dessa merecia um final melhor, mais explicado e com mais detalhes!...