Se fosse num dia comum,
Renata obedeceria sem protestar.
Mas, naquele momento,
ela não recuou. Agarrando firmemente os documentos, com os olhos avermelhados de raiva, ela o encarou à distância e soltou uma risada amarga.
— Wilson, você me investigou secretamente, interferiu na minha vida, e não vai nem se explicar?
— Quem te deu o direito de fazer isso?!
Sem mais, atirou os papéis diretamente no peito dele. As finas folhas de papel se dispersaram e caíram esparramadas pelo chão...
Era a primeira vez que alguém ousava agir de forma tão atrevida diante dele.
O temperamento de Wilson não era dos melhores, e sua expressão imediatamente assumiu contornos sombrios.
No entanto, ao bater os olhos casualmente no título garrafal no topo dos documentos, ficou surpreso e franziu o cenho.
Renata apertou os punhos, sua voz enfurecida estrangulada por um soluço.
— Wilson, você é apavorante! Tão falso!
— Você simplesmente não sabe amar!
— Eu vou embora! Vou sumir de perto de gente como você!
— Nunca mais me procure! Você me dá nojo! É repugnante!
— ...
Aquelas palavras soaram como navalhas.
Wilson lançou-lhe um olhar, mantendo-se calado. A expressão dele tornou-se tão densa e impenetrável que não se conseguia decifrá-la.
Com calma irritante, ele se abaixou, recolheu os papéis espalhados no chão, rasgou-os e jogou no lixo.
Feito isso,
ele a encarou novamente e deu um sorriso gélido.
— Eu sou apavorante? Falso? Te dou nojo?
Um frio inexplicável percorreu a espinha de Renata, que não teve coragem de encará-lo nos olhos. Com o rosto descorado, deu dois passos para trás, pronta para ir embora.

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