A matriarca não quis perder mais tempo com ela.
Com um gesto, ordenou que a arrastassem para fora e a levassem ao aeroporto.
Já que seu neto tolo não tinha juízo e não sabia como agir, cabia a ela, a velha senhora, ajudar.
— Senhora, devemos informar ao senhor sobre o que fizemos? Para que ele não pense, no futuro, que foi a jovem senhora quem fez isso e a culpe injustamente? — sussurrou a empregada.
Afinal, o relacionamento do casal era de conhecimento geral.
A matriarca ponderou e concordou que fazia sentido.
— Vou ligar para eles agora mesmo. Não, não. Mande alguém ir lá e dizer, na frente dos dois, que essa empregada cometeu um erro e eu a mandei embora. E diga àquele moleque do Rafael que, se aparecer outra pessoa assim ao lado dele, não me importo de ajudá-lo novamente.
— Sim, senhora!
A empregada imediatamente enviou um mensageiro.
Helena Gomes acabara de chegar em casa quando viu um dos homens de confiança da avó ali.
— A vovó precisa de algo? — ela perguntou, curiosa.
— Boa noite, jovem senhora. — O homem a cumprimentou e depois se virou para Rafael Soares. — A empregada da matriarca, Luara Lacerda, cometeu um erro grave hoje e desrespeitou a senhora. Por ordem dela, foi enviada para uma cidadezinha remota na fronteira para cuidar do quinto jovem mestre.
— A matriarca mandou dizer que, se aparecerem pessoas semelhantes ao redor do jovem senhor e da jovem senhora, que não aprendem com os erros e ousam desrespeitá-los, ela terá prazer em resolver o problema para vocês.
Dona Santos, que estava ao lado, ouviu aquilo e desabou no chão, ofegante e incrédula.
O homem lançou um olhar feroz para Dona Santos, como um aviso, e se retirou sem dizer mais nada.
Dona Santos ficou atordoada por alguns segundos.
Então, em pânico, arrastou-se até os pés de Rafael Soares, agarrando desesperadamente a barra de sua calça.
— Diretor Soares, diretor Soares, eu imploro, salve a minha filha! Ela ainda é uma criança! Ela só quis ajudar, mas acabou fazendo besteira! O senhor sabe que minha filha é uma boa pessoa. Ela só se preocupa com o senhor, não tem segundas intenções, de verdade!
Helena Gomes ergueu uma sobrancelha.
Pela expressão dele, ela já sabia o que ele estava pensando.
Rafael Soares cerrou os punhos.
— Eu não estou suspeitando de você. É que isso aconteceu de repente, é um pouco estranho.
— Estranho? — Helena Gomes riu com desdém. — O que é estranho? A vovó a proibiu de levar o almoço, mas ela foi escondida, fez um escândalo na frente da sua empresa, e você acha que a vovó não ficaria sabendo? Acha que ela diria: "Tudo bem, não faça mais isso, está perdoada"?
— Rafael Soares, a pessoa estranha aqui é você.
Helena Gomes não pôde deixar de revirar os olhos.
De repente, ela se lembrou de algo.

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