— Eu só...
— Você só o quê? — Helena não lhe deu a chance de continuar falando. Ela o interrompeu, com o queixo levemente erguido, olhando fixamente nos seus olhos.
— Você só acha que eu deveria aparecer e te ajudar a esclarecer tudo agora. Mesmo se a gente estiver brigando, mesmo se estivermos nos divorciando, eu deveria te ajudar incondicionalmente.
A voz de Helena soava forte, cada palavra e cada sílaba batiam pesadamente no coração de Rafael.
Os três anciãos ao lado viram isso e não demonstraram intenção de impedir Helena.
Afinal, eles também sabiam como Helena havia sido fraca antes, sempre à mercê de Rafael, de modo que ver Helena ali, defendendo-se e falando alto com Rafael, era uma cena que eles nunca tinham visto.
— Rafael, você acha ruim eu te falar da ação de divórcio bem agora, então eu te pergunto: foi bom quando você me chamou lá, depois da cirurgia da Beatriz Nunes, para me dar o acordo de divórcio?
— Foi bom quando você me ignorou doente por causa de uma ou duas palavras da Beatriz Nunes?
— Foi bom quando você me deu um gelo só porque falei mal da Beatriz Nunes?
— Foi bom quando esses anciãos te pressionaram, e você duvidou de mim sem pensar duas vezes, indo até a minha casa de manhã cedo para me interrogar?
A cada palavra que Helena dizia, ela dava um passo em direção a ele.
E Rafael recuava passo a passo, por conta da culpa, inquietação e pânico.
Até que as curvas dos seus joelhos bateram na borda do sofá, não lhe deixando saída a não ser cair sentado ali, observando Helena com uma expressão trêmula.

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