— Eu nem sei como te falar sobre essa evidência. — Bento olhou para Helena com uma cara de dificuldade.
— Afinal, foi o próprio Rafael que veio falar comigo sobre isso, mas não me deixou ver, então não sei exatamente do que se trata.
Bento soltou um longo suspiro e, com um olhar muito aflito, continuou falando.
— Na verdade, eu também pensei que pudesse ser uma mentira do Rafael para me provocar. Afinal, como ele foi provocado pelos anciãos, poderia estar guardando rancor e querendo me provocar também.
Ele colocou as mãos sobre a mesa, os dez dedos longos firmemente entrelaçados, as sobrancelhas franzidas, e falou de maneira ponderada.
— Eu originalmente não planejava te contar. Se isso fosse só uma mentira inventada por Rafael, te contar faria com que ficasse desconfiada e assustada, e não seria bom se você adiasse o processo de divórcio por causa disso.
— Mas, ao mesmo tempo, fiquei preocupado caso fosse verdade. Se for, podemos pensar em um jeito de investigar com antecedência e aproveitar para encontrar uma forma de destruir essa evidência.
Helena escutou Bento com extrema seriedade o tempo todo, sem abrir a boca para interromper.
Só depois que Bento terminou de falar e olhou para ela com expectativa foi que Helena falou.
Ela abriu a boca lentamente, mas voltou a fechá-la em silêncio. Pareceu querer falar e parou várias vezes, suspirando fundo de forma muito impotente.
Vendo Helena hesitar, como se estivesse preocupada com algo, Bento não pôde deixar de perguntar.
— O que foi? Tem algum problema no que eu acabei de dizer?
Helena apertou os lábios, balançou a cabeça e só então falou de forma pensativa: — Não, eu só não consigo entender que tipo de evidência o Rafael poderia ter. Vai ver ele só tentou te assustar mesmo.

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