— Hum!
Helena Gomes apertou o espaço entre as sobrancelhas, parecendo cansada. Vendo que ele não soltava sua mão, impedindo-a de comer, ela puxou a mão com força duas vezes.
Sentindo o movimento de Helena Gomes, Bento Soares a olhou com alerta.
— O que você vai fazer?
— Comer? — Helena Gomes olhou para Bento Soares, confusa. — Eu não sou canhota, não consigo comer com você segurando a minha mão assim.
— Sim, sim, olha para mim. Fiquei tão animado que esqueci de tudo.
Bento Soares soltou a mão de Helena Gomes com relutância.
Como havia sido tão difícil consegui-la, cada movimento dela o deixava extremamente vigilante e desconfiado.
— Falando nisso, Bento, você acha que as provas das quais Rafael Soares falou são verdadeiras ou falsas? Tenho a sensação de que podem ser falsas, mas no fundo, temo que sejam verdadeiras.
Helena Gomes falou enquanto comia. — Como eu acho que é falso, não pretendia investigar. Mas tenho medo de que seja verdade. Seria ruim perder isso por não investigar.
Helena Gomes estava muito dividida. Que tipo de prova faria Rafael Soares ter tanta confiança?
— Eu vou investigar esse negócio das provas. Não precisa se preocupar, apenas continue fazendo as suas coisas.
Bento Soares sentou-se ao lado, apoiando o queixo em uma das mãos, e virou a cabeça para olhar para Helena Gomes.
Ouvir que agora ela não parava de chamá-lo pelo nome fazia com que fosse difícil não se perder naquilo. Tocava diretamente em seu coração.
— Por que você não come, em vez de ficar olhando para mim assim?

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