“O amor não pede segurança. Pede coragem.”
Amélia começou a passar mal ainda no caminho de volta da escola.
Primeiro foi uma tontura súbita, dessas que fazem o chão parecer instável demais para sustentar o próprio corpo. Depois, o enjoo veio forte, inesperado, arrancando-lhe o ar por alguns segundos. Ela parou na calçada, apoiando-se no poste mais próximo, sentindo o corpo trêmulo e o coração acelerado.
— Mamãe? — Noah segurou a mão dela com força. — Você está bem?
Ela tentou sorrir na tentativa de tranquilizar o seu garotinho.
— Acho que sim, meu amor… só preciso sentar um pouquinho.
Mas não precisou. O medo, antigo e conhecido, voltou a pulsar. E minutos depois, estavam no hospital.
Noah permaneceu ao lado dela o tempo todo, sentado na cadeira grande demais para seu corpo pequeno, enquanto balançava os pés no ar e segurava a mão da babá como se aquilo fosse capaz de mantê-la ali.
Uma médica examinou Amélia e solicitou uns exames, apenas para descartar suas suspeitas. Quando a médica voltou, trazia no rosto um sorriso genuíno e cuidadoso, quase delicado demais para a notícia que trazia.
— Amélia… você está grávida!
O ar faltou em seus pulmões.
— Grávida? — repetiu a si mesma como se aquela informação fosse impossível, um sonho distante de acontecer.
Noah arregalou os olhos primeiro. Depois, o lábio inferior começou a tremer.
— De verdade? — perguntou, com a voz falhando. — Um bebê de verdade?
Amélia mal conseguiu responder. A alegria veio como um choque quente no peito, misturada a um medo tão intenso que quase doía fisicamente.
— Sim, meu amor… — sussurrou ainda tentando processar a informação que acabava de receber.
Noah chorou.
Chorou como as crianças choram quando o sentimento é maior do que elas conseguem suportar.
— Eu te amo tanto, mamãe… — disse, abraçando-a com força. — Eu vou ganhar um irmãozinho para jogar bola.
Ela fechou os olhos, segurando o filho contra o peito.
No carro, Noah não parava de falar. Fazia planos, escolhia nomes, dizia que ia ensinar o bebê a desenhar, a gostar de dinossauros, a dormir abraçado e explorar o quintal.
Amélia sorria e ouvia tudo o que o filho dizia. Mas por dentro, travava uma guerra silenciosa.
Estava grávida de um filho de Ethan. Do único homem que amou em toda sua vida. Ela amava Noah como se fosse seu filho, mas gerar um filho de Ethan, era tudo o que sempre sonhou. Tudo seria perfeito se não fosse por um pequeno detalhe: Uma vida surgia num corpo que lutava para sobreviver.
Quando chegaram em casa, Noah mal esperou o carro parar direito. Abriu a porta e saiu correndo ao ver o pai já no jardim.
Ethan tinha acabado de chegar da empresa. Os botões da camisa estavam abertos no colarinho, as mangas dobradas, mesmo com a expressão cansada, seus olhos brilharam quando viram sua esposa e seu filho. Sorriu ao ver Noah correndo em sua direção.
— Ei, campeão!
Noah se jogou nos braços dele com força.
— PAPAI! — gritou, eufórico. — TEM UM BEBÊ NA BARRIGA DA MAMÃE!
O mundo parou por um segundo e Ethan congelou diante daquela informação. O sorriso ainda estava no rosto, mas os olhos azuis buscaram os de Amélia, como se precisasse confirmar o que tinha acabado de ouvir.
Amélia sorriu e aquele sorriso disse tudo. Mas Ethan percebeu que havia algo diferente no olhar dela e no mesmo instante, compartilhou do mesmo sentimento.

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