AMANDA NARRANDO:
Cheguei em frente ao lobby do prédio de Jon. O porteiro, já acostumado a me ver, me deixou subir sem hesitar. Apertei a campainha algumas vezes até Jon abrir a porta com o rosto amassado de sono, usando um pijama do Bob Esponja.
— Docinho, o que tá fazendo aqui? — ele perguntou, coçando os olhos.
— Nutella, me perdoa te incomodar agora, mas por favor, posso dormir aqui? — pedi, sentindo o desespero em cada palavra.
— Claro, docinho, entra. — Ele disse, dando passagem e trancando a porta atrás de mim.
Entrei com minhas malas, tirando os tênis porque sabia que Jon não gostava que entrassem com sapatos em sua casa. Ele acendeu as luzes, revelando o ambiente aconchegante do seu pequeno loft
— Nossa, são três da manhã. O que aconteceu, docinho? — ele perguntou, indo até a cozinha compartilhada com a sala e pegando uma garrafa de água na geladeira.
— Ah, nutella, se eu te contar, acho que você não acredita. — Respondi, colocando minha mala e mochila no canto da sala, respirando fundo e tirando o casaco.
— Me conte e eu digo se acredito. — Jon disse, tomando água e se aproximando.
— Então lá vai... Flagrei minha mãe e o Rony transando no quarto dela. — Senti o peso de falar aquelas palavras, pendurando meu casaco no armário próximo à porta.
— Não acredito. — Jon colocou a mão na boca, chocado.
— Mas é verdade. — Esfreguei minhas mãos, tentando dissipar o incômodo.
— Estou passada. — Jon exclamou.
— Eu estou péssima...
— Você flagrou no momento do sexo? No ato mesmo? — ele perguntou, incrédulo.
— Sim... sim... — admiti, com as cenas passando pela minha cabeça.
— Que ratazanas traiçoeiras... O que você fez quando pegou os dois na hora H? Me conta em detalhes, esse babado docinho. — Ele pegou uma garrafa de vinho tinto, duas taças e se sentou no tapete, batendo levemente no chão para que eu me juntasse a ele.



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