AMANDA NARRANDO:
A sexta-feira foi completamente pesada. Passei o dia inteiro no estúdio de fotografia, onde sou estagiária, fotografando bebês. Entre risos, choros e poses fofas, o trabalho era exaustivo, mas recompensador. À noite, fui para a faculdade de audiovisual, onde as aulas se estendem até tarde. Quando finalmente cheguei em casa, sentia como se tivesse corrido uma maratona.
Tomei um banho rápido, tentando lavar o cansaço do corpo e da mente. Logo depois, Rony chegou. Ele costuma dormir aqui nas sextas-feiras, e fazia três meses que minha mãe, Vanusa, não reclamava disso, algo que considero um milagre. Rony e eu namoramos há dois anos, mas sua família nunca me aceitou por eu ser "pobre" aos olhos deles. Mesmo que minha mãe possua um supermercado e moremos confortavelmente, isso nunca pareceu ser suficiente pra eles.
Deitamos no meu quarto para assistir a um filme, e a exaustão do dia me venceu. Adormeci ao lado de Rony, sentindo-me segura em sua presença. Acordei no meio da madrugada com a televisão ainda ligada, repetindo o filme. Olhei para o lado e percebi que Rony não estava na cama.
Levantei-me descalça, com sede, e fui procurar por ele.
Assim que saí do meu quarto, um som estranho me fez parar. Era minha mãe gemendo. O meu coração acelerou, e um frio subiu pela minha espinha. Caminhei na ponta dos pés, tentando não fazer barulho, enquanto minha mente tentava processar o que estava acontecendo. Cheguei à porta do quarto de minha mãe, que estava entreaberta. Parei no corredor do closet, respirando fundo, tentando me acalmar.
— Isso, Rony, não para... Oh cachorrão! — ouvi minha mãe dizer.
Lágrimas encheram meus olhos, e tive que colocar a mão na boca para não vomitar. Comecei a tremer descontroladamente.
— Você é tão gostosa, amor! — ouvi a voz de Rony, seguida pelo som rítmico das estocadas.
— Sou melhor que minha filha na cama, não sou? — A voz de Vanusa era melosa, enojando-me ainda mais.
— Muito melhor, Amanda é mesmo filha de uma puta — Rony respondeu ofegante, e ouvi estalos de beijos com risadas.
"Não é possível", pensei, movendo-me para ver com meus próprios olhos. Lá estavam eles, minha mãe e Rony, completamente nus. Paralisada, fiquei em silêncio, incapaz de dizer qualquer coisa. Vanusa me viu e sorriu, gemendo ainda mais alto.
Rony se virou, vendo-me chorando copiosamente. Ele saiu de cima dela rapidamente.
— Merda, Amanda, eu posso explicar... — Rony disse, levantando-se e olhando para mim.
— Que nojo de vocês dois... — foi a única coisa que consegui dizer, limpando minhas lágrimas.
— Ei, garota, olha como fala com sua mãe! — Vanusa se levantou, enrolando-se no lençol.
— Que mãe? Você é só a pessoa que transou com meu noivo — falei, nervosa.
— Sua ingrata! — Vanusa se aproximou e me deu um tapa forte no rosto, que fez minha pele arder. — Eu sou sua mãe, você tem que me respeitar!
— Você nunca foi uma mãe para mim! — reagi sem pensar e dei um tapa no rosto dela com força.
— Eu vou te matar sua vadia! — Vanusa avançou sobre mim, mas Rony a segurou.
— Vanusa, não faz isso. Calma, Amanda... — Rony disse, tentando conter minha mãe.
— Me solta, eu vou dar uma boa lição nessa garota mal-educada! — Vanusa gritou.
— Não te interessa! — respondi, nervosa.
— Deixa ela, Rony. Isso tudo é cena, conheço minha filha — Vanusa disse, rindo e servindo-se de uísque na sala, enquanto eu abria a porta.
— Você nunca me tratou como filha — disse, magoada e em lágrimas.
— Agora já chega! Para com esse teatro. Se sair por essa porta, nunca mais volta! — Vanusa disse, irritada, tomando sua dose de uísque.
— Amanda, não vai... — Rony pediu ao me ver saindo em direção ao elevador que estava parado em nosso corredor.
As portas do elevador estavam se fechando quando Rony tentou correr atrás de mim e Vanusa apareceu atrás dele acenando. Como minha própria mãe podia agir assim? Chorei encostada na parede fria do elevador até chegar ao térreo.
Peguei meu celular, que felizmente estava carregado, e chamei um táxi pelo aplicativo. Não demorou muito para o carro chegar. Entrei e vi Rony saindo à rua, vestindo uma bermuda e uma camiseta, enquanto Vanusa observava da varanda, ainda enrolada no lençol tomando seu uísque.
Não podia ir para a casa do meu pai, pois sou fruto de uma traição e ele nunca me reconheceu. Ele tem um filho da mesma idade que eu e uma menina mais nova, mas nunca tive contato com eles. Minha madrasta, por outro lado, visitava nossa casa às vezes para mandar minha mãe se afastar do marido dela e sumir comigo, a bastarda.
Vanusa nunca teve muitas amigas; sua mãe faleceu cedo, então fui criada apenas por ela e algumas funcionárias que trabalhavam conosco, sem criar laços profundos. A única pessoa que poderia me ajudar agora era Jon, meu melhor amigo e vizinho de anos. Tentei ligar para ele, mas não atendeu.
Rezei para que ele estivesse em casa e pedi ao taxista que me levasse até lá.

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