Leo Tudor
A vida muda rápido demais.
Algumas pessoas dizem isso como metáfora… mas no meu caso, foi literal.
Perdi minha esposa há dois anos, e desde então tudo ganhou outra cor.
Cinza. Silenciosa.
E eu precisei aprender a respirar dentro desse silêncio.
Hoje, minha rotina é simples:
Acordo cedo demais.
Abro as cortinas do loft e deixo a luz cinzenta de Londres entrar.
Confiro e-mails, respondo mensagens da diretoria, reviso relatórios.
Tudo automático.
Tudo calculado.
Mas nos últimos meses… existe um caos adicional na minha vida.
Um caos de cinco anos, de cabelos loiros e olhos astutos:
Mel.
Minha filha..
Meu tornado em forma de criança.
Meu orgulho — e meu maior desafio.
Já estamos na nossa sétima babá em quarenta dias.
E nenhuma sobrevive mais de um dia ao furacão Mel.
Ela não é maldosa.
Só… fechada.
Machucada demais pela perda da mãe.
E eu também não facilito, sendo honesto.
Trabalho demais.
Peço demais.
Espero demais.
E, nesse ritmo, ninguém aguenta.
Naquela manhã, sentei-me à mesa de jantar enquanto tomava meu café e folheava a agenda.
A casa estava silenciosa — um silêncio suspeito.
— Sr. Tudor? — chamou a última babá contratada, com uma expressão tão desesperada que eu soube antes mesmo de ela abrir a boca.
Suspirei.
— Ela trancou todas as minhas roupas no banheiro, jogou água na sala e me chamou de “dentadura velha”. Eu… eu realmente não consigo mais. — Ela engasgou, pegou a bolsa e saiu sem olhar pra trás.
Outra desistindo.
Passei a mão pelos cabelos, cansado.
Isso estava ficando ridículo.
Peguei o celular e liguei para a única pessoa que poderia me ajudar:
Dra. Miranda Cooper, minha amiga de anos, diretora clínica do Queensbridge Hospital.
Ela atendeu rindo, como sempre.
— Se você estiver ligando sobre babá, já aviso: eu não tenho uma fábrica de mulheres pacientes, viu?
— Miranda — esfreguei o nariz — tô no limite. Ela trancou roupas no banheiro. Jogou água na sala. E inventou que a babá tinha 200 anos.
Ela gargalhou.
Eu não.
— Leo… sinceramente, a Mel está pedindo socorro do jeitinho dela. Você sabe disso.
— Eu sei. E estou tentando. Mas preciso de alguém que fique com ela enquanto eu trabalho.
— Tá. — Ela respirou fundo. — Eu vou perguntar às meninas do hospital. Sempre tem uma amiga de amiga… ou alguém recém-chegado precisando de emprego.
As agências já desistiram mesmo, né?
— Todas. — confirmei.
— Ok, me dá até amanhã. Mas já vou avisando: ninguém vai aceitar fácil trabalhar com a “pequeno furacão Tudor”.
Revirei os olhos.
— Ela não é tão terrível assim.
— É sim — ela riu. — Mas você também é. Então combina.
Desliguei, e por um instante fiquei parado, encarando a vista enorme da cidade através das janelas de vidro.
Prédios.
Ponte.
Carros passando.
Tudo em movimento constante.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Uma babá estrangeira para a filha do bilionário