RENAN NARRANDO:
Erick enviou uma mensagem a Cláudio avisando que estava próximo a casa da família de Rodrigo atento aos movimentos e sequestrar o menino.
Após ter alta, eu saí do hospital como um homem sem rumo, mas a raiva e a necessidade de vingança me mantinham de pé. Meu ombro latejava, e a pressão dos últimos dias parecia estar me esmagando. Claudio me levou até o meu prédio, mas o silêncio entre nós era pesado, carregado de preocupação.
— Renan, eu vou pro meu hotel, fazer minhas malas e volto pra te buscar. Já reservei nossas passagens para hoje à tarde. Vamos embora do México, esquece essa vingança. — A voz dele era firme, mas eu sentia o cansaço e o medo misturados.
Olhei pela janela do carro por alguns segundos, tentando acalmar minha mente. A ideia de fugir, de deixar tudo isso para trás, parecia tentadora. Mas eu sabia que não poderia ir embora, não agora.
— Vai você, Claudio. Eu já disse que vou ficar. Preciso de um celular novo. — Falei, abrindo a porta e saindo do carro sem me dar ao trabalho de esperar uma resposta.
Ele insistiu, claro.
— Renan, por favor, pense melhor! Vamos embora! Você já chegou longe demais...
Mas eu bati a porta do carro antes que ele pudesse terminar a frase, ignorando o desespero dele. Eu não precisava de mais sermões. A única coisa que eu precisava era de um plano. Duda me ferrou, me destruiu de todas as maneiras possíveis, e agora eu estava sozinho, com tudo desmoronando ao meu redor.
Passei pela portaria sem trocar uma palavra com o porteiro. Ele estava afundado em um jornal, com os olhos fixos nas notícias do dia, sem sequer notar minha presença. Eu apertei o botão do elevador e, assim que as portas se fecharam, me encarei no espelho. Meu reflexo era um lembrete cruel do quanto eu estava acabado.
Duda... maledetta.
Aquela mulher tinha me arrastado para o inferno e eu ainda não conseguia me libertar.
O elevador subiu lentamente até minha cobertura. Quando as portas se abriram, caminhei até a entrada do apartamento e digitei a senha na tranca eletrônica. O estalo da porta destrancando ecoou pela entrada vazia, e eu a fechei atrás de mim, já subindo as escadas, com o coração pesado com tudo o que havia acontecido.
Foi então que eu senti. Um arrepio percorreu minha espinha, e meus pés pararam no meio do degrau. O silêncio do apartamento parecia... errado.
Uma presença... Eu sabia que não estava sozinho.
Olhei para a sala, e ali, sentada à minha mesa de jantar, estava Madah, a mãe de Duda. O sol da tarde entrava pelas cortinas, iluminando-a de forma sinistra. Ela estava vestida inteiramente de preto, uma aura ameaçadora emanando de sua figura. Um cigarro queimava entre seus dedos, e à sua frente, uma caixa de presente repousa sobre a mesa, adornada com um laço prateado.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Uma noite, uma vida