RODRIGO NARRANDO:
O ambiente silencioso do meu escritório foi interrompido pela ligação dos meus pais. Eles avisaram que tinham visto um dos seguranças de Renan rondando a propriedade.
"Já cuidamos dele," disseram, de forma vaga, sem detalhes, mas eu conhecia o significado por trás daquelas palavras.
Meus pais nunca deixavam pontas soltas, esse era o nosso código. Respirei fundo quando, um tempo depois, a mensagem da minha mãe chegou: As coisas com Renan estão resolvidas. Assunto encerrado.
Sentado na minha mesa de carvalho, rolei minha caneta entre os dedos, ponderando. Será que Renan estava morto? A possibilidade pairou sobre mim como uma nuvem pesada. A verdade é que, lá no fundo, eu não queria que ele morresse.
Matar sempre era uma solução extrema.
O que ele precisava, na verdade, era aprender. Aprender que com um Rodriguez Corleone não se mexe. Meu pai e minha mãe sempre deixavam isso bem claro a quem ousasse cruzar a linha.
Deixei o pensamento escorrer e decidi mudar o foco. Peguei o telefone e liguei para Gisele. Precisava ouvi-la, sentir sua voz para me reconectar com algo que não fosse o caos constante ao meu redor.
— Oi, Rodrigo. — A voz suave dela atendeu, e imediatamente meu coração desacelerou.
— Oi, meu amor. Pensei em a gente sair um pouco, almoçarmos juntos. Eu, você e o Rodriguinho. A gente precisa respirar depois de toda essa confusão. — Eu já sabia o que queria, o futuro que estava desenhando.
Gisele era tudo que eu precisava. Simples, linda, de boa índole e uma mãe incrível.
— Ah, acho uma boa ideia. — Ela sorriu do outro lado da linha, e eu pude imaginar o brilho em seus olhos. — O Rodriguinho vai adorar.
Desliguei o telefone e, por um momento, me permiti imaginar um futuro com Gisele. Ela era jovem, pura, sem os vícios e as manchas do mundo que eu conhecia tão bem. Cada toque dela me trazia uma paz que eu não sentia há muito tempo. Seus beijos, suas carícias, o jeito que ela me olhava... era melhor do que qualquer coisa que eu já tivesse experimentado. Ela era perfeita. Ela era minha, e eu seria o único.
O primeiro e o último na vida dela.
Não ia abrir mão disso.
Com a caneta Mont Blanc entre os dedos, mordi a ponta enquanto meu sorriso crescia ao lembrar da última noite que passamos juntos. Beijei cada centímetro do corpo dela, fazendo questão de marcar cada pedaço daquela pele como meu.
Meu devaneio foi interrompido pelo toque do telefone no escritório. Suspirei, deixando a ponta da minha caneta Mont Blanc cair sobre a mesa.
— Senhor Rodrigo? — A voz eficiente de Virgínia, minha secretária, ecoou do outro lado da linha. — A senhorita Micaela está lá fora e gostaria de falar com o senhor.
Meu sorriso desapareceu.
Micaela, sempre ela.

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