MADAH NARRANDO:
Renan era burro, mas nem tanto. Ele sabia exatamente qual era o jogo que estava jogando, e mais ainda, sabia que tinha perdido. Não foi surpresa quando ele aceitou o meu "convite" para pegar o avião de volta para a Itália junto com seu advogado. Raphael e eu nos encaramos enquanto assistíamos o jato decolar pela pista, com os motores rugindo como um animal ferido tentando escapar.
— Acredita mesmo que o bastardo vai ficar em silêncio, querida? — Raphael perguntou, com a voz dele sempre carregada de uma frieza calculada, apesar de todo o carinho que me dedicava.
Eu apaguei o cigarro no chão, sentindo a fumaça queimar suavemente minha garganta antes de falar.
— Espero que sim, querido, mas não confio nele. Avise seus homens para ficarem de olho assim que ele pisar em solo italiano. — Minha mente já estava dez passos à frente, como sempre. — Deixe o Bernardo de sobreaviso. Se Renan tentar qualquer coisa, vamos agir. Sem hesitar.
Raphael assentiu, com a expressão séria como de costume. Caminhamos até o meu Porsche Cayenne estacionado, e eu deslizei para o banco do motorista. Raphael, no banco do carona, estava claramente preocupado, mas não com Renan.
Sua mente estava em outro lugar, e ele não demorou para expor o que o incomodava.
— Não acho que a Duda tenha que voltar a morar em Los Angeles. Ela deveria ficar em casa, com a família, já terminou os estudos. É mais seguro aqui. — A preocupação paternal escorria de cada palavra.
Raphael sempre foi assim com Maria Eduarda, excessivamente protetor, principalmente agora.
Suspirei enquanto ligava o carro. Ele sempre foi assim, mas eu sabia como lidar.
— Meu amor, sua filha tem uma alma livre. Já tentamos prendê-la em casa, na adolescência e não deu certo. — Falei suavemente, tentando acalmá-lo. — Acho que uma viagem vai fazer bem para a Duda. Ela precisa voltar aos seus projetos, se distrair... esquecer o que aconteceu nesses últimos dias.
Raphael assentiu, mas ainda havia hesitação em seus olhos. Ele segurou minha coxa de leve, o toque dele sempre uma mistura de carinho e possessão.
— Você sempre sabe me convencer. — Ele riu, embora ainda parecesse perturbado. — Não sei onde estava com a cabeça quando deixei Maria Eduarda ficar tantos anos longe de nós.

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