Flora Narrando
Se alguém me dissesse lá atrás, quando eu era aquela mulher machucada, fria como gelo, cheia de armaduras e barreiras, que um dia eu estaria aqui, assim como estou agora, eu teria rido na cara. Porque eu não acreditava mais em conto de fadas, em finais felizes, muito menos em recomeços. Mas a vida... ah, a vida foi generosa comigo. Hoje eu sou uma mulher apaixonada, feliz, cheia de sonhos. Uma mulher que se descobriu capaz de amar de novo, de confiar, de se entregar. E, o mais lindo: uma mãe. Mãe de dois bebês lindos, os amores da minha vida, os pequenos que vieram pra me transformar de um jeito que eu nem sabia ser possível.
Asher e Ethan são tão pequenos e tão grandes na minha vida. Meus filhos, meu tudo. E, pra completar, são a cara do pai. Quem olha diz na hora:
— Nossa, Flora, não puxaram nada de você!
E é verdade. Os olhinhos, o nariz, o jeitinho... tudo do Evan. Eu confesso que morro de ciúmes. Porque eu olho pra eles e vejo o pai em cada traço, e isso me faz amá-los mais ainda, mas também me faz rir de mim mesma por esse ciúme bobo.
— São meus também, tá? — eu brinco com o Evan, quando ele fica ali todo babão com os meninos.
— São nossos, meu amor. Nossos pra sempre. — ele responde, me abraçando e beijando minha testa.
A gente passou dois meses na casa da minha mãe depois que eles nasceram. Dois meses intensos, de aprendizado, de noites em claro, mas cheios de amor, de ajuda, de risadas. Foi uma bagunça boa, daquelas que enchem o coração. As meninas, as gêmeas da Luna, eram uma festa à parte. A casa cheia, o barulho gostoso de família, aquela confusão que só quem ama entende. Quando chegou a hora de voltar pro nosso apartamento, eu achei que ia ser um alívio. Mas sabe o que senti? Um vazio. Senti falta daquela casa cheia, daquela correria, daquele amor espalhado por todos os cantos. Senti falta das minhas princesas lindas, da Luna, da minha mãe por perto o tempo todo.
Mas a gente seguiu. E seguimos bem. Meus pais e os pais do Evan fazem questão de vir todos os dias ver os meninos. Eles se apaixonaram pelos netos e, sinceramente, acho que ninguém quer perder um dia sequer dessa fase tão mágica. Eu e a Luna? A gente se vê o tempo todo. Se não estamos juntas, estamos no celular. Chamadas de vídeo o dia inteiro.
— Mostra a Sophia, Luna! Ela já tá dando aqueles sorrisos, né?
— E o Ethan? Ele já tá todo esperto olhando pro lado, você viu?
A gente compartilha tudo, cada descoberta, cada sorriso novo dos pequenos, cada olhar. É como se eles, os nossos filhos, unissem ainda mais o que já era inseparável entre nós.
Nunca pensei que um dia eu diria isso, mas troquei a vida de CEO pela maternidade. Troquei o salto alto pelas pantufas, as reuniões pelas mamadeiras, os projetos milionários pelas fraldas. E quer saber? Não me arrependo nem por um segundo. Fiz um trato com meu pai: ele vai assumir minha posição até os meninos completarem dois anos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Uma nova chance para o Ceo
Cadê os capítulos???...