Daniel entrou em pânico, a voz subindo uma oitava:
— Mamãe, como você ficou tão ocupada de repente? Antes, você ficava em casa sem fazer nada o dia todo, era tão bom! Por que agora inventou de ter tanta coisa pra fazer? Mamãe, larga isso e volta pra casa comigo.
O sangue de Amélia ferveu. Nos últimos cinco anos na mansão Barros, ela cuidou de cada detalhe, da comida à roupa lavada, servindo a todos como uma escrava de luxo. E, aos olhos deles, ela "não fazia nada".
— Antigamente, a mamãe "não fazia nada" e por isso seu pai e você me desprezavam, lembra? Agora, eu preciso trabalhar para me sustentar. Não tenho tempo para brincar de casinha.
— Mas reunião de pais não é brincadeira! É sua obrigação!
— Por que essa insistência agora? Você sempre preferiu que a Nádia fosse nas suas reuniões.
A pergunta pegou Daniel no contrapé. Antes, ele achava chique levar a tia, a herdeira do Grupo Sousa. Dava status.
Mas agora... agora a mãe dele era a campeã internacional de matemática. As crianças da escola só falavam nela. A tia Nádia já era notícia velha. Levar a Amélia agora era o trunfo para ganhar a aposta contra o Lucas Vieira.
— Mamãe, eu quero ter orgulho de apresentar você.
Ele continuava mentindo.
— Eu tenho trabalho. Chame sua tia. Vamos, entra no carro.
— Mamãe, que emprego porcaria é esse? Se é tão cansativo, pede demissão! Quanto você perde por dia? Eu peço pro papai te pagar o dobro, só pra você ir comigo!
Amélia suspirou, cansada daquela mentalidade de "dinheiro compra tudo".
— Por que você quer tanto que eu vá?


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Vá para o Inferno, Ex-Marido!
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