O pressentimento estava certo.
Na rodovia, as duas voavam baixo. Amélia agarrava a cintura de Vitória — uma cintura fina e firme — enquanto o vento tentava arrancar suas roupas.
Vitória pilotava como uma profissional, exalando confiança e rebeldia.
— E aí, Amélia?! Sentindo a liberdade?
Amélia assentiu, adrenalina correndo nas veias. Vitória começou a cantarolar alto, sua voz abafada pelo vento, mas audível.
— "Cheia de manias... toda dengosa... menina bonita, sabe que é gostosa!"
Era um clássico do pagode antigo. Denunciava a idade, mas combinava perfeitamente com a energia dela.
— Tá gostando, nora?! Digo... Amélia?!
— É libertador!
— Depois te ensino a pilotar! Topa?
— Será que eu consigo?
— Claro! Se casar com meu filho, te passo todos os meus truques!
Amélia engoliu em seco dentro do capacete. Normalmente herança de família é joia, receita... ali era “técnica de pilotagem suicida”? E que história era essa de casar com o filho?
De repente, um rugido de motor se aproximou. Um carro esportivo conversível, amarelo gema, emparelhou com elas.
Dentro, um playboy de cabelo descolorido e óculos escuros gritou:
— E aí, gatinhas! Que saúde, hein? Vamos encostar pra tomar uma?
Vitória gritou de volta, sem diminuir a velocidade:
— Sai fora, mosquito! Tá atrapalhando a paisagem!
Ela acelerou a moto, deixando o carro para trás. Mas aquilo feriu o ego frágil dos playboys.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Vá para o Inferno, Ex-Marido!
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