Daniel estava sozinho no jardim, observando os peixes. A avó mandou que ele esperasse, pois tinha assuntos de gente grande para tratar com a tia Nádia.
O lago estava cheio de peixes coloridos, o que distraía o menino.
De repente, Nádia surgiu à distância. Com um aceno discreto, ela sinalizou para uma empregada, que imediatamente se aproximou do garoto.
— Quem é você, moleque? O que faz aqui?
Daniel estufou o peito:
— Eu sou o pequeno senhor da família Barros.
O tom de Daniel carregava uma arrogância inata.
O título de herdeiro sempre lhe garantiu respeito e privilégios.
A empregada riu, debochada:
— A família Barros que acabou de falir? Coitadinho de você. De herdeiro milionário virou herdeiro de dívidas. O dinheiro que seu pai deve, você não vai conseguir pagar nem em duas vidas.
Daniel sentiu o rosto queimar de vergonha e raiva.
— Mesmo falido, sou melhor que você! Você não passa de uma empregada que limpa o chão!
— Olha só, a boquinha é nervosa. Mas é melhor ficar longe desse lago. Esses peixes são aruanãs vermelhos, valem uma fortuna. Um só desses peixes vale mais que você hoje em dia. Ha ha!
O escárnio da empregada fez o sangue de Daniel ferver.
Desde a falência, todos olhavam para ele com desprezo. Agora, até uma serviçal se atrevia a rir dele.
— Sai! Sai daqui agora!
— Ui, que temperamento, garoto. Você acha que ainda está na mansão dos Barros? Acorda, sua família faliu! Aqui é a família Sousa. Você devia aprender o que é educação, seu moleque insolente!
Daniel estava à beira de um ataque de nervos. Será que agora qualquer um podia pisar nele?
Foi então que Nádia entrou em cena, caminhando com passos firmes.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Vá para o Inferno, Ex-Marido!
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