Vitória sabia que Neusa nutria uma paixão por Afonso desde a infância. Mas também sabia que Afonso não tinha o menor interesse romântico nela, vendo-a apenas como uma irmãzinha.
Ela até achava o temperamento direto de Neusa engraçadinho, e para evitar que a garota sofresse por um amor não correspondido, Vitória já tinha apresentado vários rapazes de boa família. O problema é que nenhum deles agradava aos olhos exigentes de Neusa. Pior: ela os atormentava tanto que alguns acabaram no hospital e, traumatizados, bloquearam Neusa de todas as redes sociais.
Como dizem: mulher bonita é perigo constante, e a vida vem em primeiro lugar!
Se Sebastião queria arriscar a pele, que fosse em frente. Neusa certamente saberia como colocá-lo em seu devido lugar.
...
No quarto.
Amélia estava concentrada, aplicando as agulhas nas pernas de Afonso, quando ele quebrou o silêncio:
— Você não vai se irritar e acabar me matando com uma agulhada, vai?
Amélia levantou os olhos, atônita. Afonso estava brincando com ela numa hora dessas?
— Não chegaria a tanto — respondeu ela, fria. — Não vou arruinar minha reputação profissional por sua causa.
Amélia prezava muito seu nome como médica. Podia não ser uma santa salvadora do mundo, mas sua técnica era impecável. Jamais mancharia sua carreira por um homem.
Quando ela ia inserir a próxima agulha, Afonso segurou seu pulso delicado, impedindo o movimento.
— Você pode me perguntar o que quiser. Afinal... nós já tivemos contato íntimo de pele, não é?
As palavras de Afonso atingiram Amélia como um raio. Seu coração disparou e a respiração falhou por um instante.
Aconteceram tantas coisas recentemente que ela tinha bloqueado as memórias daquela noite.
Eram dois adultos. A intenção dela era esquecer o incidente, mas Afonso parecia determinado a tocar na ferida.
— Que contato íntimo? Eu não me lembro de nada.
O rosto de Amélia corou violentamente. Mesmo tentando manter a compostura, o pânico transparecia em seus olhos. Afonso, fazendo-se de vítima, provocou:
— Não se lembra? Então não pretende assumir a responsabilidade?
Ele a encarava fixamente. Amélia sentiu-se encurralada. Naquela noite, ela estava bêbada, ela que tinha forçado a situação... Como ele queria que ela se responsabilizasse?
— Eu não sou nada disso!
— Se não é, então deveria mostrar uma atitude responsável de verdade.
— E o que você quer que eu faça?
— Case-se comigo!
Amélia sentiu o cérebro travar. As engrenagens pararam.
Afonso disse aquilo com uma seriedade assustadora. Era absurdo demais...
— Pare de brincar. Alguém como eu não serve para você. A Srta. Neusa é quem combina com você!
— Por que o ar de repente ficou com cheiro de vinagre? — provocou ele.
— Vinagre? Onde?
— Você derrubou o pote de ciúmes inteiro e ainda diz que não está sentindo o cheiro?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Vá para o Inferno, Ex-Marido!
As histórias são muito legais, o chato é que no final o aplicativo corta pela metade cada capítulo, vc fica sem entender pois, corta o final já começa o outro com outra coisa,ou seja, não dá continuidade, fica sem contexto....
Bem chegou a hora dos amigos da Amélia, os velhinhos da casa de repouso , que comandam tudo por fora, até mesmo no submundo, começar a agir, hora de acabar com a cobra da Nádia e Natanael e de quebra é claro Cláudia e seu filho covarde Sérgio ex da Amélia que fez da vida dela um inferno....
Por favor, atualizem o livro....