— Você acha que estou com ciúmes daquela tal de Srta. Neusa?
Amélia olhou para Afonso, seus longos cílios tremulando, com uma expressão de inocência genuína.
— Você ficou encarando a Neusa o tempo todo, com a testa franzida como se fosse um nó cego! — acusou ele.
Amélia soltou um riso sem graça. Ela havia franzido a testa porque, num primeiro momento, sentiu uma familiaridade estranha com Neusa, e logo em seguida a própria Neusa comentou sobre a semelhança entre as duas.
Então aquela sensação de familiaridade vinha daí?
— Eu estava olhando para a Srta. Neusa porque ela é muito bonita, é natural olhar um pouco mais — disfarçou Amélia, meio constrangida. — O Sr. Afonso está imaginando coisas.
Será que ele estava imaginando mesmo? Ele não podia se iludir um pouco, achando que ela sentia ciúmes dele? Deixá-lo feliz por um minuto que fosse?
— Na verdade, você não precisa ligar para o que ela disse. Se ela se parece com você, isso é sorte dela.
Amélia ficou sem palavras. [...] Dizer isso não era um pouco... exagerado?
— Sr. Afonso, eu realmente acho que a Srta. Neusa combina com você. Ela é radiante, bonita, elegante. E as grandes famílias prezam por uniões poderosas. Uma aliança comercial onde você encontra alguém que te ame de verdade e ainda ajude nos negócios... não seria matar dois coelhos com uma cajadada só?
Embora uma parte egoísta de Amélia quisesse permanecer no abraço de Afonso, quanto melhor ele a tratava, mais ela sentia que não o merecia. Ela só queria que ele fosse feliz.
Afonso tentava desesperadamente convencer a si mesmo de que Amélia estava com ciúmes, mas aquele olhar calmo dela não tinha traço algum de possessividade. E agora ela ainda estava empurrando Neusa para ele?
Ele achou que precisava se explicar, mas pelo visto, era esforço inútil.
— Achei que você estava com ciúmes. Pelo visto, pensei demais.
Amélia suspirou aliviada ao ver que o mal-entendido fora desfeito. Mas Afonso, não satisfeito, emendou:
— Como eu sou uma pessoa muito boa e confiável, você deve estar muito segura, por isso não sente ciúmes, certo?
Afonso estava furioso por ela não sentir ciúmes, mas já estava se auto-sabotando para se consolar. Se Amélia dissesse "sim", ele já ficaria feliz.
— Você é uma boa pessoa, sim. Mas isso não tem nada a ver com eu estar segura ou não.
— Me solte. Quando nos divorciamos, foi você quem exigiu a guarda do Daniel. Agora vem me acusar? Isso não faz o menor sentido.
— Amélia, eu realmente não imaginava que você fosse a Senhorita da família Sousa... não imaginava que você tivesse essa origem.
O que Sérgio queria dizer, nas entrelinhas, era que ela tinha sofrido injustamente e que o mundo fora cruel com ela.
— Ah, é? E se tivesse imaginado antes, teria me tratado melhor? Tudo para colocar as mãos na fortuna da família Sousa?
As palavras de Amélia fizeram o rosto de Sérgio fechar.
— Eu nunca pensei em tirar vantagem de você. Meus sentimentos eram verdadeiros.
— Verdadeiros? Você se casou comigo para provocar a Nádia, não foi? Você não aceitava que ela tivesse se casado com seu irmão mais velho. E eu, a idiota, servi apenas de ferramenta para o seu joguinho, ganhando de brinde uma mancha no meu currículo que nunca vai sair.
— Casar comigo foi uma mancha para você? Tornou-se algo que você tem vergonha de mencionar?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Vá para o Inferno, Ex-Marido!
As histórias são muito legais, o chato é que no final o aplicativo corta pela metade cada capítulo, vc fica sem entender pois, corta o final já começa o outro com outra coisa,ou seja, não dá continuidade, fica sem contexto....
Bem chegou a hora dos amigos da Amélia, os velhinhos da casa de repouso , que comandam tudo por fora, até mesmo no submundo, começar a agir, hora de acabar com a cobra da Nádia e Natanael e de quebra é claro Cláudia e seu filho covarde Sérgio ex da Amélia que fez da vida dela um inferno....
Por favor, atualizem o livro....