— Escutar o quê? — A voz de Afonso era cortante como lâmina. — Que explicação é necessária para a hipocrisia? Vocês querem que eu "compreenda" seus motivos, reconheça minha própria insignificância e me retire de cena. Para que gastar saliva?
Wilson estava à beira de um colapso. Ninguém o deixava terminar uma frase! Quem defenderia sua causa?
Foi quando Igor, o patriarca, decidiu intervir.
— Wilson, cale a boca. Você só está piorando as coisas. Você e sua mãe têm o dom de transformar palavras em desastres. Parecem dois personagens de comédia pastelão.
Igor virou-se para Afonso, assumindo uma postura séria:
— Sr. Afonso, peço que ignore a falta de tato deles. Eu serei direto. Nós não desprezamos você. Pelo contrário, somos imensamente gratos. Obrigado por dar um lar à minha filha. Obrigado por tê-la amparado quando ela estava sozinha e desprotegida no mundo. Como forma de gratidão, decidimos transferir todo o Grupo Sousa para o seu nome.
Afonso, que estava prestes a expulsá-los, paralisou. Ele já tinha ouvido muitos discursos bonitos de Igor, mas aquela última frase... seus ouvidos o traíam?
Do que aquele homem estava falando?
Igor virou-se para a esposa e o filho com um olhar de reprovação:
— Viram? É assim que se fala. Direto ao ponto. Vocês ficam dando voltas e só causam mal-entendidos.
Karina e Wilson assentiram freneticamente, como alunos repreendidos.
— É verdade, deveríamos ter sido diretos. A nossa enrolação causou uma péssima impressão — concordaram, rindo de nervoso.
Afonso não riu. A situação era absurda demais.
— Isso é algum tipo de piada de mau gosto? Vocês querem me dar o Grupo Sousa?
Na mente de Afonso, aquilo soava como uma armadilha. Primeiro o ridicularizam, depois oferecem o império para, em seguida, exigir que ele suma da vida de Amélia?
Wilson tomou a frente:
— Não é piada. Você quer ou não o Grupo Sousa? Basta dizer sim, e ele é todo seu.
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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Vá para o Inferno, Ex-Marido!
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